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Na última semana, o boato de que a #Fiat Chrysler Automobiles (FCA) seria vendida para uma montadora chinesa teve grande repercussão. O grupo, que reúne dois nomes expressivos das indústrias automotivas europeia e norte-americana, está à #Venda não é de hoje e só o mexerico a respeito do negócio foi suficiente para fazer suas ações subirem mais de 10%, na Bolsa de Nova Iorque – a fofoca dava conta de que a FCA havia negado uma proposta acima de seu valor de mercado, o que é impossível de ter acontecido. Um dos fabricantes apontados como candidato à compra, a Geely, se apressou em desmentir o negócio. “Não temos planos nesse sentido, no momento, mas esta pode ser uma boa alternativa para outra companhia chinesa, em termos de desenvolvimento de produtos”, garantiu o diretor executivo da marca, Gui Shengyue.

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Também não é de hoje que o chefão da Fiat Chrysler Automobiles, Sergio Marchionne, tenta convencer outro grande grupo automotivo a somar forças com a FCA para baratear custos operacionais e de produção, sem o que a própria sobrevivência da gigante está em xeque. Marchionne ouviu “não” da General Motors e da Volkswagen que, além de serem concorrentes diretas da FCA, também são muito maiores em vendas e faturamento.

Mas quais implicações um negócio deste porte traria para a subsidiária brasileira?

Bom, primeiramente, desemprego. Uma das preocupações do governo italiano vem tendo, desde que uma “consolidação” com outra gigante do setor foi ventilada por Marchionne, diz respeito ao fechamento de postos de trabalho. O problema é que a FCA é uma empresa holandesa com sede em Londres (Inglaterra) e, portanto, até uma proposta de acordo trabalhista chegar à caixa de correio londrina do grupo, seus ex-operários italianos já terão morrido de inanição.

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Aqui, no Brasil, a fábrica mineira de Betim fechou quase 30% de seus postos de trabalho, nos últimos anos, o que (oficialmente) foi atribuído à adequação de sua produção à queda abissal verificada nas vendas.

Desindustrialização

Enquanto o Brasil congela gastos infraestruturais e vai se desindustrializando, o governo chinês banca uma diretriz, denominada #China Outbound, que estimulará grupos domésticos a adquirirem ativos internacionais e assumirem o controle de indústrias que vão “marcar seu terreno”. Ao todo, nos próximos dez anos, serão investidos US$ 1,5 trilhão – o equivalente a R$ 4,72 trilhões – neste plano estratégico. “As montadoras chinesas têm total apoio governamental, neste momento”, avalia o presidente da consultoria Dunne Automotive, Michael J. Dunne, que atua no mercado asiático há 25 anos. “É uma ofensiva muito forte, que representa um aumento de 70% nos aportes atuais”.

Não é preciso ser Mãe Dináh para saber que se fosse, realmente, vendida a um grupo chinês, o mais provável é que a planta de Betim fecharia ainda mais postos de trabalho ou até mesmo as portas, já que ela tem um custo operacional muito mais alto que o da fábrica pernambucana.

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Os veículos que saem de suas linhas de montagem estão no final de seu ciclo de vida e/ou com um desempenho comercial muito abaixo daquilo que justificaria sua continuidade, para os chineses. A bem da verdade, o que atrai qualquer comprador, neste momento, é o potencial das marcas Jeep (+15,2%, só em 2016) e RAM (+8,1%) – o resto iria no pacote, já que, em termos qualitativos, os modelos chineses já alcançaram o mesmo padrão dos Fiat (-4,2%).

Hoje, a FCA possui 162 operações fabris, além de 87 centros de pesquisa e desenvolvimento, em nível global. É um elefante branco, é verdade, mas os chineses estão de olho é nos cerca de 2.600 concessionários norte-americanos, uma rede de distribuição capaz de viabilizar os mais ambiciosos planos. Marchionne também garante que as metas financeiras definidas em 2014 – e que chegaram a ser ridicularizadas, na época – devem ser atingidas, no ano que vem. O chefão tem grande mérito na reorganização dos negócios do grupo, mas não é segredo para ninguém que ele gostaria de deixar a liderança do grupo consolidando sua fusão ou venda. “Precisamos remunerar nossos acionistas na medida máxima das possibilidades da companhia”, declarou Marchionne.

A fala do big boss deixa claríssimo que, se existe algo que os grandes capitalistas não têm, é apego por algo além de dividendos. Portanto, se você trabalha na FCA, é bom ir preparando o currículo...