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Se um cataclismo realmente atingir nosso planeta, na próxima semana, a #Honda terá colaborado para isso. Afinal, só mesmo na véspera do #Fim do mundo alguém imaginaria que um Fit custaria mais de R$ 80 mil. Pois é: esqueça o futuro do pretérito usado na frase anterior, porque a marca já transformou a realidade em presente. E se nem no pesadelo mais assustador, na situação mais apavorante, se nem na cena mais amedrontadora o leitor consegue imaginar algo tão aterrorizante, o melhor é passar longe de um revendedor da Honda.

Talvez por isso, ela tenha optado em apresentar o #Fit 2018 para a imprensa especializada, pela internet, sem contato direto, sem olho no olho.

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O compacto, que recebeu uma remaquilada e traz novos conteúdos, agora parte de escandalosos R$ 58.700 (o equivalente a 63 salários mínimos), na versão de entrada, DX, chegando a inconcebíveis R$ 80.900, na ELX, topo de linha. Há menos de um ano, este era o valor de um HR-V!

“A principal alteração mecânica que o Fit 2018 traz é a nova caixa de direção, que mantém a assistência elétrica, só que agora sem o uso de escovas, que garante respostas mais precisas ao volante”, conta o líder de desenvolvimento da nova versão, engenheiro Ricardo Baldin. Em outras palavras, não há absolutamente nada de novo no compacto – fora isso, obviamente.

Grande e para-choques levemente – muito levemente – redesenhados, além dos LEDs funcionais (opcionais para os modelos DX, Personal e LX) são perfumaria e só mesmo quem é muito reparador vai notar as diferenças em relação ao Fit vendido até o final de agosto.

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Já o modelo ELX traz faróis com LEDs para ambos os fachos, baixo e alto, mas por um preço fantasmagórico.

Por dentro, sim, há novidades: bolsas infláveis laterais, climatização automática (só para as duas versões topo de linha, EX e EXL), um novo sistema multimídia com tela sensível ao toque de 7 polegadas (indisponível para toda a gama e opcional exclusivo da versão EXL) e espelhamento da tela de smartphones por interfaces CarPlay, da Apple, e Android Auto – a Honda já disponibilizava este mesmo conjunto para o WR-V. Com bastante atraso, o Fit passa a contar com controle eletrônico de estabilidade (VSA) e auxílio de arranque em aclives (Hill Holder).

O motor bicombustível 1.5 litro 16V, de 116 cv, foi mantido, bem como o câmbio manual de cinco marchas e a transmissão automática de variação contínua (CVT), que ganha emulador de sete marchas e comandos no volante (só nas versões EX e EXL). Como o Fit sempre foi um dos modelos preferidos do público portador de necessidades especiais (PcD), a linha 2018 ganha uma nova versão, Personal (a partir de R$ 68.700), dedicada para pessoas com deficiência.

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Ao contrário da concorrência, a Honda vai ofertar esta configuração especial para qualquer comprador, apostando na sua “boa” relação custo/benefício.

Nos Estados Unidos, o Fit EV já está em pré-venda. Lá, o modelo verde de 125 cv custa US$ 36.600 – o equivalente a R$ 113.840 – e tem autonomia de 130 quilômetros. A recarga de suas baterias leva apenas três horas e, além das cortinas infláveis, ele traz suspensão traseira independente (multi-link). Seu desembarque no Brasil foi descartado.

“No momento, temos um propulsor bastante eficiente, que atende perfeitamente as condições locais”, disse o diretor de Relações Públicas, Sergio Bessa. “Nós temos estas tecnologias em outros mercados, mas é preciso que o governo brasileiro crie incentivos para este segmento”, acrescentou.

City e indagações

Ao que tudo indica, o City passará, em breve, pelos mesmos procedimentos do irmão hatchback. No caso do sedã, seus preços devem ter um reajuste ainda maior, mas o brasileiro parece não se assustar mais com isso. Nossa reportagem fez três perguntas para a Honda que, até agora, seguem sem resposta:

“Nos cinco últimos anos, as vendas do Fit caíram 30,4%, enquanto seus preços subiram até 22,7%. Ao que a Honda atribui este aumento?”; “Com os reajustes do Fit, os preços do WR-V também serão majorados?” e “As vendas da Honda, desde 2012, caíram 1,6%, mas a participação da marca nos emplacamentos nacionais subiu de 3,7% para 6,3%. Qual o segredo do prestígio da marca, no Brasil, onde seus carros têm os maiores valores dentre todos os mercados globais?”

Bom, a omissão parece evidenciar que: A) não há razão para os aumentos absurdos do Fit, para além do neocolonialismo aplicado pela matriz japonesa e da falta de amor próprio do consumidor brasileiro; B) os preços do WR-V também irão subir; e C) o consumidor tupiniquim prestigia a marca porque é vaidoso e ordinário, mesmo.