Ninguém mais tem dúvidas de que o mercado brasileiro de #Automóveis, finalmente, encontrou o trilho da recuperação. Números consolidados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que, mesmo com a queda 7,7% em relação a agosto, o resultado do mês passado trouxe ganhos expressivos, de 24,9%, sobre #setembro de 2016. Com a retomada, os emplacamentos acumulados nos nove primeiros meses deste ano registram alta de 7,8%. Apesar da melhora, o volume de 1,57 milhão de unidades, entre carros de passeio e comerciais leves, ainda é 41% menor que o registrado em 2012, ano do recorde histórico nacional. “É claro que nossa base de comparação é muito baixa, mas entramos em um ritmo de forte recuperação”, avalia o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr, comparando a evolução dos licenciamentos, nos últimos 12 meses.

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A qualidade das carteiras de crédito melhorou, mas, por enquanto, só os consumidores que têm como pagar vêm tendo suas fichas aprovadas”, acrescentou o executivo, deixando claro que o setor opera com cautela.

O grande destaque de setembro foi o recém-lançado Kwid que, com mais de 10.300 unidades vendidas, puxou a Renault da sexta para quarta posição entre as marcas, com um ganho de 2,75 pontos percentuais na sua participação de mercado – o volume comercial dos franceses cresceu nada menos que 68,7%, só no mês passado. A subida da Renault coincide com a derrocada da Fiat que, de uma fatia de 22,9%, viu seu pedaço no bolo reduzido para 13,6% – nos últimos cinco anos, as #vendas da Fiat caíram 65%, de 611,5 mil unidades para 214,2 mil unidades.

No acumulado de 2017, a General Motors mantém a ponta, com uma participação de 17,9%, seguida por Fiat, Volkswagen (12,5%), Hyundai (9,3%) e Ford (9,3%).

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O Chevrolet Onix, com 134,2 mil unidades emplacadas entre janeiro e setembro, mantém a liderança, seguido de longe pelo Hyundai HB20 (79,3 mil unidades), Ford Ka (68,2 mil unidades) e Renault Sandero (55,5 mil unidades). Mas o Kwid chegou para ficar e, o melhor, entre os líderes: o novo subcompacto fechou o mês passado na vice-liderança nacional, com um volume comercial que equivale ao dos Fiat Argo, Mobi e Uno somados!

A situação da Fiat é a mais incômoda, dentre as 15 principais marcas do mercado brasileiro. Não bastasse ver sua participação minguar, ela perdeu 397 mil clientes, nos últimos cinco anos. Depois de um realinhamento desastroso de sua gama – que foi enxugada e desqualificada – e mirando um futuro de incertezas, já que toda a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) está à venda [VIDEO], o prognóstico para os próximos anos é o pior possível. Se a atual curva de descenso for mantida, a marca pode cair da vice-liderança em que ainda se sustenta para a décima posição da tabela, ficando atrás da Jeep.

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Acomodando

O problema é que a própria Jeep parece ter “tocado no sino” e, depois de um longo período de crescimento, as vendas do Renegade (-34,2%, só em setembro) e do Compass (-0,4%) vão se acomodando. E sem o apoio da marca, que vem servindo de muleta para todo grupo e não só no Brasil, a FCA entrará em uma espiral de reveses. Com a retração dos negócios, em médio e longo prazos, muitos concessionários fecharão as portas. A desvalorização dos usados, que se seguirá, vai afugentar os consumidores e, quando as vendas caírem para baixo de um limite, a interrupção de parte da produção será inevitável. Sem rede assistencial, sem clientes e sem veículos, como a companhia sobreviverá?

De volta ao mercado brasileiro, o segmento de transportes segue em baixa, com queda de 15,2% em relação a agosto. Apesar do resultado ruim, os números de setembro foram 13,3% superiores aos assinalados no mesmo mês de 2016. Com isso, caminhões e ônibus acumulam perdas de 7,1%, neste ano, resultado que, se não é nada animador, pelo menos não é tão desanimador quando o observado no segmento de duas rodas. Motocicletas e ciclomotores fecharam o mês passado com encolhimento de 13,2% sobre agosto, 4,9% sobre setembro do ano passado e um salto negativo de 17,5%, em 2017.

Apesar de poucos notados, dois fatos apontam para a elitização do mercado brasileiro de automóveis: o primeiro, que as pessoas jurídicas já respondem por 39,4% dos licenciamentos – em 2012, as vendas diretas representavam 25,3% do total. O segundo que, enquanto os números do setor decresceram 40%, nos últimos cinco anos, as vendas da Mercedes-Benz subiram 45,3%, mesma tendência seguida por Audi (+107,6%, no mesmo período), BMW (+15,7%), Porsche (21,7%, só nos últimos 12 meses) e Mini (+34,3%).

Bom, o fato é que os dois últimos meses foram tão animadores, para a indústria e para os revendedores, que a Fenabrave reviu sua projeção para o fechamento deste ano, que era de alta de 2,3%, subiu para 4% e, agora, chega a 10%.