“Cada chef é um mundo”, me refiro ao mundo que existe dentro de cada um nós. No caso dos chefs de cozinha pode ser um mundo um pouco sem explicação para muitas pessoas que não trabalham no ramo. Uma pessoa que decide ser chef deve estar muito seguro de que é isso mesmo que deseja para sua vida, pois os horários são malucos, as festas familiares ficam sempre em segundo plano e a pressão que existe no ambiente é grande, algumas vezes até insuportável. Para se entender um pouco o que acontece na mente de um chef podemos recorrer a Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner.

A cozinha é como uma roda gigante que não para, entram e saem pratos a todo momento e tudo acontece bastante rápido.

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Normalmente o chef vai pedindo os pratos para as suas respectivas “praças” (assim é como chamamos cada seção responsável por uma parte da carta do restaurante). Acontecem muitas brigas entres chefs, garçons, cozinheiros. Por exemplo, se um aprendiz teve a “desgraça” de mandar um prato errado, já começa a confusão e consequentemente os gritos de ambas as partes, o nível de stress sobe e a adrenalina do ambiente começa a se manifestar.

Pupilas dilatadas, suor constante, batimentos cardíacos acelerados e alteração no tom de voz, normalmente isso acontece quando uma pessoa está sob um forte nível de pressão. E é isso que ocorre com os comandantes da cozinha, mas é claro que as pessoas são diferentes e essas reações também vão ser. É nesse ponto que vamos relacionar o que acontece com cada chef ao grau de inteligência que possui.

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Para uma pessoa ter sucesso na cozinha precisa, além de ter um talento, sentir aromas, combinar ingredientes e muita criatividade, tem que possuir um bom grau de inteligência linguística (saber usar bem as palavras), corporal (saber utilizar a linguagem corporal para se comunicar), sinestésica (conseguir concentrar-se com ruídos e fazer várias coisas ao mesmo tempo) e a principal delas: interpessoal (saber lidar com pessoas, convencê-las de maneira fácil, ser persuasivo, mas sem agressividade).

Durante o momento do passe dos pratos ocorre muita pressão e isso é visível antes e depois do trabalho. Por exemplo, um chef pode passar o serviço inteiro falando aos berros com um subordinado para que cozinhe um determinado prato, mas no final vem calmamente e até traz uma cerveja para comemorar o final do serviço. Parece um pouco difícil de entender, mas é assim que funciona. Claro que isso também vai depender do tipo de chef que ele tem. Se é um cara com mais inteligência interpessoal provavelmente não vai gritar tanto, já um cozinheiro que recebe uma bronca de um chef nunca pode curvar-se, deve utilizar a mesma linguagem corporal e principalmente o mesmo tom de voz.

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Parece estranho, mas é nesse ambiente um pouco hostil que devemos ensinar pessoas que é muito diferente de uma sala de aula, onde estamos sentados, calmos e em silêncio para aprender. A tarefa é difícil porque o ato de cozinhar não envolve somente a ação em si. Se precisa saber um pouco sobre o funcionamento de cada ingrediente e isso algumas vezes envolve processos químicos, físicos e engenharia de alimentos. Para ensinar na cozinha é preciso, além de muita paciência, tentar manter a calma, pois se o chef ensina aos berros provavelmente a pessoa que recebeu isso vai se bloquear e parar.

Hoje existe uma moda de realities que passam na TV sobre cozinha e é bastante normal as pessoas entrarem e saírem iludidas desse tipo de programa. Sem a menor ideia do que é realmente estar em uma cozinha de verdade, elas se submetem a inúmeras humilhações feitas pelos chefs famosos, além não aguentarem a pressão e simplesmente desistirem, em alguns casos. É muito legal ver isso na televisão, mas na pele é outra história. O fundamental para quem deseja conquistar seu espaço em uma cozinha de sucesso é entender que o terror e o estresse farão parte da sua rotina, e saber lidar com isso fará toda a diferença em sua carreira. #2017 #Culinária #Masterchef