A dieta mediterrânea - diferentemente de um sem número de outras dietas cujos benefícios são muitas vezes efêmeros, quando não controversos - tem sido consistentemente reconhecida como benéfica à saúde. Em especial, a dieta mediterrânea está associada a menor incidência de doenças cardiovasculares e maior probabilidade de envelhecimento saudável. Estudo publicado pela revista científica "British Medical Journal" no dia 2 de Dezembro não apenas confirma esses benefícios, como sugere que a dieta mediterrânea estaria contribuindo para a longevidade biológica das células do organismo. Nesse estudo, cientistas da Universidade de Harvard (Boston, EUA) analisaram minúsculas estruturas, nas extremidades dos cromossomos, chamadas telômeros, onde fica armazenado o código genético (DNA): o comprimento dos telômeros é um indicador da idade biológica das células, já que ele diminui à medida que as células envelhecem.

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O comprimento dos telômeros é grandemente afetado por processos oxidativos e inflamatórios. Considerando que os componentes-chave da dieta mediterrânea - frutas, verduras, nozes - têm importantes propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, o estudo se propôs a investigar a hipótese de que ela poderia contribuir para preservar o comprimento dos telômeros e, portanto, para a longevidade biológica das células. O estudo foi efetuado com 4676 enfermeiras saudáveis, com idade média de 59 anos, acompanhadas ao longo de mais de uma década. A maior ou menor adesão à dieta mediterrânea era caracterizada através de questionários padronizados, aplicados periodicamente. Foram também contempladas outras variáveis com possível influência no comprimento dos telômeros, como a prática de exercícios físicos, o fumo, a ingestão calórica, o IMC.

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Os resultados comprovam que quanto maior a adesão à dieta mediterrânea, maior o comprimento dos telômeros e, portanto, biologicamente mais jovem o indivíduo. Não foi identificado benefício maior atribuível a componente específico da dieta: a dieta como um todo se comprovou mais eficaz. Uma das limitações da pesquisa, reconhecida pelos próprios autores, é a homogeneidade da população estudada, feminina e de uma única etnia, o que faz com que os resultados não possam ser generalizados. Ainda assim, não deixam de reforçar a ideia de que a dieta mediterrânea pode contribuir para uma vida longa e saudável.