Um estudo recente afirmou que as células dos bebês permanecem por cerca de 40 anos dentro do corpo da mãe e que, por essa razão, as mães guardam na lembrança o nascimento de seus filhos por vários anos, independente da forma como a gestação terminou.

Mas, para as mães que tiveram seus filhos através de parto normal, a história pode ser um drama, um caso de polícia, uma redenção ou uma chance para recomeçar. As histórias variam muito porque, no Brasil, pesquisas apontam que 80% das mulheres preferem o parto via vaginal, e menos de dez por cento delas consegue ver o seu desejo realizado, devido a um sistema que desencoraja as mulheres nesse sentido.

O pequeno número de mães que tem um parto normal é quase unânime em afirmar que, apesar dos problemas, tiveram uma experiência única e inigualável, e que fariam tudo de novo. O que faria essas mães gostarem tanto de parir? O que muitas explicam é que parir dá uma sensação de dever cumprido. De terem sido fortes o bastante para encarar o trabalho de parto, tarefa que para nós, humanos, é tida como mais difícil do que para outros animais devido ao tamanho do nosso cérebro, um preço a pagar pela nossa inteligência superior.

A esse sentimento que toma conta das mães quando seus bebês nascem em um parto normal dá-se, atualmente, o nome de "empoderamento". É quando a mulher se percebe capaz de feitos incríveis e se sente "mais mulher" do que se sentia antes. O fenômeno do empoderamento ocorre frequentemente depois de um parto normal por estar intimamente ligado a um lado mais natural, não medicalizado do processo reprodutivo.

Para que isso se torne verdade, o parto tem que ocorrer em um ambiente respeitoso, cercado de encorajamento e dignidade para mãe e bebê. Atualmente, o movimento brasileiro pela Humanização do Parto está reabrindo este mundo esquecido às mães que ousem ultrapassar o seu próprio limite. O parto normal humanizado, para muitas, é a possibilidade de oferecer aos filhos uma via de nascimento que não apenas é amorosa, mas também a mais recomendada pela Organização Mundial de Saúde devido à sua altíssima taxa de sucesso, em comparação com as cesarianas eletivas sem indicação clínica.

E o protagonismo da mulher em seu próprio parto seria o que torna essa experiência tão atrativa e tão efetiva em devolver à mulher a sua capacidade de tomar decisões. As "empoderadas" afirmam que parir as fez perceber que são pessoas mais completas, e põe em cheque a figura do médico obstetra, que não é mais a estrela do show. Essas mulheres não ganham mais os seus bebês e nenhum médico "faz" o seu parto. Elas têm orgulho de parir e de se conectar imediatamente com a cria, confirmando que a natureza é sábia, que os bebês sabem nascer e que as mulheres sabem parir. #Família