'O Rio de Janeiro continua lindo. O Rio de Janeiro continua sendo'... uma cidade pouco acessível aos seus milhares de habitantes que sofrem algum tipo de deficiência física. Apesar das incontáveis belezas e do caráter alegre e comunicativo do carioca, o Rio de Janeiro não é uma cidade muito amigável com aqueles que são chamados pejorativamente de 'deficientes'. Pensando em trazer informação e levar as pessoas a mudarem sua atitude, está sendo realizada na Casa da Ciência da UFRJ, de 22/10 a 21/12, a exposição Cidade Acessível, organizada pela Folguedo e patrocinada pela UNIMED-Rio.

Segundo os organizadores, a exposição busca provocar no visitante a interpretação imaginativa, sensorial e reflexiva, oferecendo possibilidades de vivenciar situações enfrentadas pelos portadores de deficiência. Assim, crianças, jovens e adultos ditos 'normais' poderão colocar-se no lugar do 'outro', experimentando equipamentos de novíssima geração disponíveis na mostra. Andar com vendas nos olhos, experimentar abafadores de som, movimentar-se em cadeiras de rodas, usar pesos adicionais nos braços e pernas, entre outros desafios, propiciam aos visitantes as mesmas dificuldades enfrentadas por cegos, surdos, cadeirantes e idosos, respectivamente. A exposição ainda dispõe de equipamentos como o DosVox, que permite acesso de cegos à internet, bem como vídeo guias em Libras para surdos. Também estão à disposição do público depoimentos em vídeos, filmes, etc. Os interessados poderão participar de debates, mesas-redondas, oficinas e agendar visitas guiadas. Exemplo disso foi a Mesa-Redonda realizada no dia 3/12, no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, dedicada à reflexão e debate sobre conquistas e desafios da acessibilidade, em que foram discutidas questões acerca da mobilidade urbana, oferta de condições adequadas para o acesso à informação e ao lazer, os avanços na legislação e a efetiva aplicação desses direitos legais.

Transporte público é principal dificuldade

Para grande parte dos visitantes ouvidos o transporte de massa constitui um obstáculo quase que intransponível aos portadores de deficiência, sobretudo cadeirantes.

-- Descobri que o sistema BRT não atende convenientemente às necessidades do embarque e desembarque dos passageiros 'deficientes' -- queixa-se Bárbara Bousada. -- Ao fazer compras no Mercadão de Madureira, minha filha, que é cadeirante, encontrou muitas dificuldades, começando pelo espaço entre os ônibus e a plataforma, que é muito grande. Isso porque ela estava de andador, se fosse com cadeira de rodas seria pior, porque não há espaço dentro do ônibus para manusear a cadeira. A estação estava muito cheia e não havia espaço prioritário para pessoas deficientes ou idosos. Precisei avisar ao motorista que havia uma pessoa com deficiência para desembarcar. Além disso, ainda nos deparamos com a impaciência e a falta de educação de algumas pessoas que não esperaram e passaram na frente dela.

Para Aline Xavier o problema do transporte público é prioritário: -- Vejo a dificuldade dos cadeirantes, sempre que precisam usar o ônibus. Muitas vezes, no município de Seropédica, eles precisam esperar o ônibus que tem transporte para cadeirantes, e quando ele vem, não está funcionando. Isso é uma vergonha para o nosso Brasil, onde existem muitos cadeirantes, e o acesso é muito difícil em todos os aspectos. As calçadas também, sem nenhuma estrutura.

Acessibilidade atitudinal

Segundo Fernando Pedro Lopes, assessor de Comunicação Social da Casa da Ciência, o objetivo da exposição é "chamar atenção para a superação das barreiras que nos segregam pelas diferenças, que constrangem o convívio ao reforçar preconceitos, ações que ferem os princípios da acessibilidade atitudinal, impedindo o exercício de uma cidadania plena e contrária a uma concepção democrática de sociedade".

A Exposição Cidade Acessível tem entrada franca. O endereço da Casa da Ciência é Rua Lauro Müller, 3, Botafogo (ao lado do antigo Canecão). Informações pelo tel.: 2542-7494.