A morfina é um importante fármaco, amplamente utilizado na medicina como analgésico e ansiolítico. Mas uma nova pesquisa encontrou no café substância que possui propriedades similares a da morfina.

Pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e da UnB (Universidade de Brasília) descobriram que dentro do café há algumas proteínas, os peptídeos, que são capazes de gerar efeito semelhante ao que a morfina possui. Ainda de acordo com a pesquisa, os peptídeos encontrados no café, similar a morfina, podem proporcionar um efeito de maior duração do que o anestésico. Isso representa um importante fator no desenvolvimento de novos remédios à base de plantas.

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A pesquisa é fruto da tese de doutorado de Felipe Vineck, que iniciou o estudo por meio do genoma do café. A identificação da substância veio quando Felipe descobriu novos genes no café quando ele era submetido ao processo de secagem. Analisando estes novos genes, encontrou dentro deles algumas proteínas -  os peptídeos - capazes de gerar o efeito semelhante ao fármaco, a morfina. Quando Vineck descobriu, identificou e depois desenvolveu cópias sintéticas em laboratório, que posteriormente foram testadas em camundongos.

O estudante comprovou que realmente o novo ingrediente tinha um importante poder sobre os animais testados, chegando a durar cerca de mais de quatro horas. Em doses de morfina, isso representa de 40 minutos a uma hora.

O uso da substância do café pode ser feito como um complemento anestésico para a morfina, já que, diferentemente do fármaco que age na hora, a nova proteína demora cerca de 40 minutos para fazer efeito.

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O estudo espera que a nova descoberta possa auxiliar em novas pesquisas, podendo integrar as duas juntas para que o efeito seja rápido e a duração seja mais prolongada no organismo.

Ainda, segundo o pesquisador, outra grande vantagem é a redução dos efeitos colaterais que o uso da morfina provoca, uma vez que ela possui grande poder de dependência quando injetada em grandes quantidades. Se realmente for possível reduzir a quantidade utilizando os peptídeos do café, a quantidade de morfina seria diminuída, o que possibilitaria menor dependência.

Outra novidade nesta descoberta está na utilização destes novos peptídeos na diminuição da ansiedade, bem como um inibidor de apetite. As pesquisas terão continuidade, uma vez que as patentes das substâncias foram pedidas.

Novos testes estão sendo realizados para que as doses sejam testadas, além de parcerias como fabricantes de medicamentos para o investimento da pesquisa.