Na manhã de quinta-feira (29), foi divulgado o resultado da prova do exame do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) de 2014, que avalia os egressos de escolas médicas de São Paulo. Cerca de 55%, dos 2.892 candidatos foram reprovados, ou seja, não conseguiram pontuar o mínimo de acertos que é de 60%.

O resultado é visto como preocupante pelo Conselho de Medicina, apesar do resultado de 2013 ter sido levemente inferior - cerca de 59% dos candidatos não obtiveram aprovação.

Segundo o presidente do Cremesp, Braulio Luna Filho, a situação é preocupante, uma vez que o recém-formado sai da faculdade sem saber o básico da profissão, e isso é alarmante.

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Segundo ele, o problema é ainda pior, pois pela legislação brasileira, esse mesmo profissional que não obteve bom desempenho na prova, poderá exercer a profissão independente de ter tido um ruim ou bom desempenho na prova. O registro do órgão é conseguido apenas pelo fato do candidato realizar a prova, sem ter a avaliação como mérito de registro e posterior exercício da profissão.

A principal causa levantada pelo desempenho insatisfatório nas provas do Cremesp é a baixa qualidade durante a formação médica, uma vez que muitos docentes não possuem qualificação, além da falta de hospitais escola, laboratórios de ensino e pesquisa, bibliotecas, entre outros requisitos para que realmente houvesse o aprendizado.

As áreas onde houve maior deficiência no exame do Cremesp foram clínica médica, ciências básicas e pediatria.

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Sendo exatamente estas áreas que os profissionais recém-formados irão trabalhar logo após saírem da graduação.

Geralmente os profissionais que não recebem uma boa qualificação e que não passam na prova de residência passam a trabalhar em pronto-socorro e pronto-atendimentos, locais onde o fluxo de pessoas é alto.

O órgão estuda a possibilidade de um exame nacional que possibilite a emissão do registro apenas com o respectivo desempenho do profissional, além de um monitoramento anual em relação aos candidatos reprovados.

Segundo os dados do exame, alunos que estudaram em escolas públicas tiveram um desempenho melhor do que alunos de escolas particulares, tendo um percentual de reprovação, de respectivamente, 33% e 65,1%.

Ainda, das 20 escolas médicas que existem no estão de São Paulo, 20 não obtiveram a pontuação mínima de 60%. Contudo, entre dez faculdades privadas que possuem o curso de medicina, sete obtiveram um desempenho aceitável. #Educação #Trabalho