O químico austríaco-americano Carl Djerassi, um dos criadores da pílula anticoncepcional, que foi um marco na revolução da sexualidade de milhões de mulheres em todo o mundo, morreu na madrugada de sábado em San Francisco, aos 91 anos, confirmou hoje o Museu Albertina de Viena. O filho de Djerassi informou ao museu, a morte de seu pai após uma doença longa e séria.

O cientista, dramaturgo e pintor nasceu no dia 29 de outubro de 1923, em Viena. Filho de um casal de médicos judeus, ele fugiu dos nazistas para os Estados Unidos em 1938 e tornou-se um pesquisador lá. Ao lado do químico mexicano Luis Miramontes e húngaro-mexicano George Rosenkranz, desenvolveram juntos há mais de 60 anos o anticoncepcional noretisterona, à base de hormônio sexual em pílula.

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O novo contraceptivo chegou ao mercado em 1960. O químico austríaco-americano também alcançou a síntese de cortisona.

Djerassi, professor emérito da renomada Universidade de Stanford, foi homenageado diversas vezes por suas conquistas científicas. Entre outros prêmios, recebeu a Medalha Nacional de Ciência na América, a Cruz de Honra para a Ciência e Arte da Áustria e da Ordem do Mérito da Alemanha. Ele também recebeu vários doutoramentos honoris causa.

"Djerassi merece um monumento! A pílula foi um marco na #História da emancipação da mulher", disse a jornalista alemã e feminista Alice Schwarzer.

O próprio cientista era humilde e foi muitas vezes descrito como "mãe da pílula", por ter sido considerado o inventor da base química da contracepção.

Djerassi era um colecionador apaixonado e possuía uma das maiores coleções particulares de obras de Paul Klee, que deu ao Museu San Francisco de Arte Moderna e de Albertina, em Viena.

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O cientista reuniu cerca de 160 obras de Klee. A partir dos anos 80, ele se concentrou em escrever romances e peças de teatro. Muitos de seus trabalhos foram sobre o judaísmo, da ciência e da luta pelo reconhecimento. Ele viveu entre Viena, Londres e San Francisco. Carl Djerassi foi um dos químicos mais importantes do nosso tempo, que estabeleceu marcos no desenvolvimento científico e social no século XX.

As instituições governamentais e científicas da Áustria levaram décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial para conseguir uma aproximação com muitos artistas e cientistas que foram forçados a fugir dos nazistas. Essa é uma das razões pelas quais Djerassi fez as pazes com sua terra natal apenas nos últimos anos de sua vida. Ele começou a construir contatos mais estreitos com a Áustria em 2003 e recebeu a cidadania austríaca um ano depois.