O programa "Mais Médicos" atende 4.058 cidades brasileiras, além de 34 distritos indígenas, percorrendo lugares de difícil acesso e que necessitam de atendimento médico. Anunciado nesta quarta-feira (4), o Ministério da Saúde divulgou o resultado das inscrições da nova edição do programa "Mais Médicos", e os resultados foram surpreendentes, indicando recorde de inscrições de médicos brasileiros.

Cerca de 15.747 médicos brasileiros se candidataram a concorrer cerca de 4.146 vagas, sendo que destas, 361 são para reposição. O principal motivo deste aumento de profissionais com diplomas de medicina é decorrente da junção do programa com o Provab, outro programa do governo que incentiva que profissionais possam trabalhar em áreas prioritárias, garantindo, depois de um ano de trabalho, um bônus de 10% nos exames de residência, obrigatório para o exercício da profissão médica.

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Ainda não é possível dizer se os números serão suficientes para que médicos cubanos sejam dispensados. É necessário esperar para ver se não haverá desistências, principalmente por se tratar de áreas de abrangências muito afastadas e que, muitas vezes, médicos se negam a irem trabalhar.

Atualmente, fazem parte do programa 14.462 médicos. Cerca de 4.505 vagas foram solicitadas por municípios. Contudo, destas, 359 não tiveram o pedido deferido. Os motivos variaram desde a falta de infraestrutura mínima para que os médicos possam desenvolver suas funções até pedidos sem fundamentos, considerados pelo Ministério da Saúde excedidos, sendo que muitas vezes as cidades não necessitavam dos números de vagas que estão pedindo.

Grande parte dos médicos que integram o programa "Mais Médicos" são de origem cubana, e esse fator foi amplamente discutido inicialmente, tanto pela qualidade dos profissionais, que foi contestada, quanto pelo próprio país, pelo fato de trazer mão de obra de outros países em vez de incentivar os profissionais com formação brasileira.

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Contudo, comparativamente ao resultado apresentado pelo Conselho Regional de Medicina, em que mais da metade dos recém-formados de São Paulo não atingiram 60% dos acertos no exame do Cremesp, será que estamos em condições de exigir qualidade? Pois mais da metade desses recém-profissionais não são aprovados e mesmo assim vão exercer a profissão, já que a nota não é considerada um requisito para o registro, e é necessária apenas a realização do exame.