As doenças negligenciadas são aquelas que prevalecem em condições de pobreza, mas não somente isso, elas também contribuem para a continuidade do quadro de desigualdade, uma vez que representam um obstáculo ao desenvolvimentos dos países.

Estima-se que haja 1,5 bilhão de pessoas infectadas, em 149 países. Um relatório da OMS elenca pelo menos, 17 doenças consideradas 'negligenciadas', entre elas: dengue, doença de Chagas, esquistossomose, hanseníase, leishmaniose, malária, tuberculose, úlcera de Buruli, cisticercose e as parasitoses.

Há investimentos em pesquisas relacionadas à essas doenças, mas esse conhecimento não se reverte em avanços terapêuticos e sabem por quê? Porque a indústria farmacêutica tem pouco interesse no tema, já que o retorno lucrativo é baixo, pois a população atingida é de baixa renda.

Publicidade
Publicidade

Indo na contramão dessa tendência, algumas empresas farmacêuticas promoveram uma distribuição em massa de medicamentos, que foi muito bem sucedida em vários países.

De acordo com a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, "O aumento do investimento por parte dos governos pode aliviar a miséria humana, distribuir de forma equitativa os ganhos e libertar multidões há muito condenadas à pobreza." Vale lembrar que grandes investimentos são feitos para ajudar no combate a três grandes doenças: HIV/AIDS, tuberculose e malária, e não considera-se que as doenças negligenciadas podem tornar a tuberculose e a AIDS mais letais. 

Alguns dados sobre as doenças negligenciadas, conforme relatório da OMS 

  •  No ano de 2012, cerca de 800 milhões de pessoas afetadas por alguma das doenças, foram submetidas a tratamento. 
  •  No ano de 2014, apenas 126 casos de dracunculíase (doença do verme de Guiné) foram diagnosticados - contra 1800 casos em 2010 e inacreditáveis 3,5 milhões de casos nos anos 80.
  • A OMS ressaltou no relatório que ainda é um objetivo possível a erradicação da doença.
  • Estima-se que sejam necessários investimentos de 2,9 bilhões de dólares para acabar com as doenças, conforme plano lançado em 2012, considerando o período 2015-2020. Esse valor cairá para 1,6 bilhão de dólares para os dez anos subsequentes (2021-2030).
  • O total de investimentos somam 34 bilhões de dólares, em 16 anos.
  • Com esses investimentos, 1,5 bilhão de pessoas receberão o tratamento preventivo contra as referidas doenças, até 2017.
  • Outro dado novo: as mudanças climáticas fazem com que haja uma maior propagação dessas doenças.

A OMS ressaltou que muitos países já reconheceram a importância da luta contra as doenças negligenciadas e que já têm programas específicos em andamento.

Publicidade