Depois da decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em retirar o canabidiol (CBD) da lista de substância proibidas no Brasil, é a vez de pacientes pressionarem as autoridades competentes para que outro derivado da maconha com propriedades terapêuticas também possa ser liberado: o tetrahidrocanabinol (THC).

O uso da maconha medicinal é defendido por muitos pacientes que precisam e necessitam do uso da erva. Diferentemente do canabidiol, que é um derivado da maconha que não possui efeitos alucinógenos, o THC é o derivado responsável por todos estes efeitos, mas que possui os mesmos efeitos do CBD no alívio da dor e dos espasmos, provocados pela esclerose múltipla e por outras doenças que degeneram o sistema nervoso.

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Pacientes com quadros epiléticos graves utilizam o canabidiol isolado, e que hoje não está entre as substâncias proibidas, contudo, o uso do THC ainda não é autorizado. Brasileiros que precisam da substância estão recorrendo na Justiça para que ele seja liberado. Outros países já aprovaram a utilização do tetrahidrocanabinol, contudo, a importação do produto aqui no Brasil não é autorizada. A substância possui menos efeitos psicotrópicos do que aqueles comparados com a planta fumada.

Juliana Paolinelli Novaes é a primeira paciente a conseguir na Justiça a autorização para importar o medicamento com THC. Ela possui uma doença congênita, que faz com que os discos da coluna comprimam os nervos, encadeando uma dor insuportável, e a utilização do THC seria a solução para as dores. Mesmo depois da liberação, a paciente ainda não conseguiu ter acesso ao remédio, devido ao alto preço.

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A solução encontrada por Juliana é o uso do CBD em pasta, e o uso de cigarros de maconha para aliviar as dores na coluna.

Muitos pacientes estão torcendo que também seja aprovada a liberação do THC, embora, mesmo depois da liberação do canabidiol no país, ainda existem muitas discussões acerca dos derivados da maconha. Mesmo o CBD fora da lista de substâncias proibidas e tendo incorporado seu uso em medicamentos controlados, ainda não existe no Brasil autorização para que haja a comercialização do produto em território brasileiro.

Outro ponto também a se tratar é a recusa de muitos médicos em receitar o canabidiol, substância que já foi liberada pela Anvisa, o que muitas vezes acaba ocorrendo o mercado ilegal de importação.

Atualmente existe um laboratório que produz medicamento a base de CBD, Hemp Meds, com sede na Flórida, tendo já criado um site em português com atendimento telefônico no Rio de Janeiro e São Paulo.