A população da pequena cidade baiana de Camaçari, localizada a 41 quilômetros da capital Salvador, tem passado os últimos dias em estado de alerta, assustada com o surgimento de uma doença misteriosa. Até ao dia de ontem os postos de saúde tinham registrado oficialmente 39 casos de pessoas com sintomas semelhantes de pintas avermelhadas pelo corpo, dores e coceira. O diagnóstico é ainda reservado, mas tudo indica que seja uma virose.

A suspeita é que se trata de roséola ou parvovírus-B19, mas só daqui a alguns dias será possível um diagnóstico definitivo. O estado não dispõe de laboratórios com capacidade para esse tipo de exame, pelo que foi necessário enviar amostras de sangue dos pacientes para o Laboratório Central da Bahia (LACEN), em Salvador, que seguidamente as encaminhou a clínicas especializadas do Rio de Janeiro e Paraná.

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Inicialmente, os médicos desconfiaram de outras doenças como dengue, febre chikungunya, rubéola ou sarampo, mas essas possibilidades já foram descartadas. O diretor da Vigilância Epidemiológica de Camaçari referiu que não há motivo para pânico, embora seja absolutamente necessário saber do que se trata. Os pacientes não apresentam febre e, em média, os sintomas têm desaparecido ao fim de sete dias, aparentemente sem causar outro dano à saúde.

A roséola ou exantema súbito é uma doença provocada pelo herpes vírus humano do tipo 6 (HHV-6), que normalmente infecta crianças entre os primeiros meses e o terceiro ano de vida, atacando também os adultos imunodeprimidos. No caso do parvovírus-B19, além de crianças, ataca também adolescentes, sendo transmitido pelo contato com as secreções respiratórias da pessoa infectada.

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Ambas são doenças infecciosas benignas.

Camaçari é uma das principais cidades industriais da Bahia, dispondo de várias indústrias químicas e petroquímicas, fábricas automóveis, entre outras. Segundo representantes da Coordenadoria do Meio Ambiente da Secretaria do Desenvolvimento Urbano (SEDUR), nos últimos dois meses não houve qualquer alteração na qualidade da água normalmente distribuída para a cidade e também não foi detectado nada de anormal no ar do município.

Portanto, é prematuro tentar estabelecer uma relação entre os sintomas da doença e os possíveis poluentes dessas indústrias. Até porque as ocorrências foram registradas em bairros diferentes. Por sua vez, a Secretaria de Saúde de Camaçari (SESAU) continua alertando as pessoas com os referidos sintomas para se apresentarem nos postos de saúde mais próximos de suas residências. Mas enquanto não são conhecidos os resultados dos exames, a doença continuará sem diagnóstico definido. #Medicina