Já era noite em Baikonur, no cosmódromo russo no Cazaquistão, quando os motores de foguetes Soyuz na sexta-feira (27) começaram a cuspir fogo resultante da queima de combustível. O ônibus espacial estava levando três astronautas dispostos a iniciar uma missão histórica, dois russos, Gennady Padalka e Mikhail Kornienko e um americano, Scott Kelly . O destino era a Estação Espacial Internacional (ISS), onde eles estão programados para chegar nas primeiras horas da manhã de sábado (28).

Padalka é o comandante da nave e sua permanência na ISS vai bater o recorde absoluto de dias não consecutivos de um homem no espaço. Esta marca é ainda de outro russo, Sergei Krikalev, com 803 dias.

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Quando esta missão espacial estiver terminada em ele meses, chegará a 878 dias fora da Terra.

Kornienko e Kelly ficarão o dobro do tempo, dando-lhes condições para realizar cerca de 500 experimentos, muitos deles relacionados com os efeitos na saúde humana da vida prolongada no espaço.

O último vôo de tanta duração aconteceu cerca de 20 anos atrás. Desde então medicina e tecnologia já percorreram um longo caminho e nos permitirá estudar o estado do organismo humano na ISS, explicou o russo Kornienko em uma conferência de imprensa antes da decolagem realizada em Paris.

Já Kelly vai bater o recorde de estadia no espaço para um astronauta norte-americano. "Eu acabei de acordar de um cochilo antes da decolagem. A última vez em uma cama em um ano" - brincou ele no Twitter horas antes do lançamento.

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Kelly terá um aliado especial na Terra para agregar valor aos experimentos executados: o seu irmão gêmeo Mark, também um astronauta, mas agora aposentado. Os resultados dos estudos sobre as transformações genéticas, os efeitos sobre o sistema cardiovascular, o impacto sobre o aparelho digestivo ou mudanças de comportamento serão monitorados com seu irmão na Terra.

Os cientistas esperam que a comparação possa ser oportunizar importantes conclusões sobre o impacto da ausência de gravidade, a radiação ou isolamento no espaço. Dados vitais para missões ambiciosas, como uma hipotética viagem a Marte. Uma missão tripulada a Marte, segundo a NASA decidiu que será em 2030, exige uma permanência mínima no espaço de 16 meses.

O russo Kornienko opina: "eu acho que é possível. E não só eu. Não há impedimentos técnicos para fazer. Isto é principalmente um problema de planejamento e estabelecer o que queremos para voar até lá" - afirmou.