Aborto é um dos temas mais levados à discussão nos últimos tempos: há quem seja a favor e quem seja contra. Os motivos para opiniões diferentes são muitos: crenças religiosas, pessoas que creem que "o bebê não deve pagar pelo erro que a mãe cometeu ao não se cuidar" (com exceção aos casos de estupro, claro), há quem defenda que a mulher tem o direito de fazer o que bem entender com o próprio corpo e, se não achar que é o melhor caminho para ela e não será o melhor caminho para a criança que viria, que a mesma não nasça, então.

Afinal, o aborto deve ou não ser legalizado? Uma questão importante a ser levantada é: ninguém deve responder de acordo com a própria opinião.

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"Sou contra, aborto deve ser crime" ou "sou a favor, o aborto deve ser legalizado". O que tem de ser analisado é a situação como um todo, a situação real de centenas de mulheres; é questão de saúde pública, já que o número de abortos clandestinos no Brasil só cresce e muitas morrem por isso. É necessária a compreensão que a legalização e o ato propriamente dito não são a mesma coisa: o apoio à legalização não é o apoio à atitude. O melhor caminho, de fato, é legalizar; e por quê? Porque independente de abortar ser crime ou não, ele vai continuar acontecendo todos os dias.

Em uma entrevista dada em 2010, a cantora Pitty disse: "Eu acho que, na verdade, qualquer cidadão deve ter o direito de decidir sobre qualquer coisa que diga respeito à sua vida privada; e outra: ninguém vai deixar de fazer aborto por causa disso [pelo fato de não ser legalizado].

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Todo dia você vê notícia no jornal, de menina que fez aborto em clínica clandestina e se deu mal ou ficou doente, ou pior, ou pior, mulheres que tem filho que não queriam ter, pegam, botam no saco plástico e jogam, colocam dentro de um rio. Eu acho isso muito mais grave."

No nosso país, o aborto é a terceira maior causa de mortes maternas por ano. Quantas vidas poderiam ter sido salvas se ele fosse legal? Muitos acreditam que se o aborto for legalizado o número aumentaria, e aí que está o engano. No Uruguai, depois que a prática foi permitida por lei, o número de abortos caiu cerca de 30%. Em uma entrevista, Leticia Rieppi, ginecologista e ex-diretora de Saúde Sexual e Reprodutiva no MSP, afirmou que "Não é uma lei que promove o aborto, mas a reflexão".

Esse tópico é tratado em uma entrevista do Dr. Drauzio Varella com o ginecologista e obstetra, coordenador do Ambulatório de Violência Sexual e de Aborto Legal do Hospital Pérola Byington, Jefferson Drezett. Ambos trazem à discussão o fato que é constatado que, em dezenas de países, não houve uma explosão no número de abortos depois que esse foi legalizado.

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Mulheres que abortam não voltam grávidas ao médico no dia seguinte para fazê-lo de novo. Lembremo-nos: esse não é, de forma alguma, um ato prazeroso. Outra fonte interessante para entender o assunto é o documentário Clandestinas, que entrevista mulheres que já abortaram e dividem suas experiências e opiniões.

Os fatos são: sendo legal ou não, o aborto vai acontecer; milhares de mulheres morrem diariamente após a realização de abortos clandestinos de forma cruel em "clínicas" cheias de médicos que mais se parecem açougueiros - é realmente assustador. Junto com a legalização, viriam a salvação da vida de milhares de mulheres seriam salvas e a diminuição no número de abortos.

Quando diz-se aborto, há quem fale sobre "respeito à vida". Mas qual vida: a da mulher ou a da criança? #Medicina