Não foram poucas as pessoas que já perguntaram a si próprias e pensaram em entrar com processos contra a irresponsabilidade alheia, porque elas devem pagar por decisões idiotas de outras pessoas? Se médicos são processados por seus erros, se empresas pagam pela contaminação de águas, porque as pessoas que são contra a vacinação também não devem pagar por sair por aí, distribuindo doenças para todas as pessoas que com ela cruzam?

Arthur Caplan, professor de bioética NYU também se fez esta pergunta, mas com um poder de fogo um pouco maior que o comum dos mortais. O professor anteriormente já tinha tratado do assunto em um artigo publicado com o nome: "livres para escolher, mas responsável pelas consequências".

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Nesta ocasião o professor, com muitas justificativas, quer saber porque os pais que não vacinam os seus filhos contra o sarampo, por exemplo, colocando em risco todas as outras crianças com as quais entra em contato, não devem ser responsabilizados.

O processo poderia ser contra aquele chefe do escritório, que mesmo gripado vai trabalhar e obriga todos os funcionários a entrarem para reuniões em um ambiente contaminado. O aprofundamento dos argumentos o leva a questionar, porque não processamos todas as pessoas constatadas com Ebola, um novo e mortal vírus, que se recusaram a manter a quarentena.

As justificativas de Caplan entram pelo campo da filosofia quando ele apresenta uma ideia secular que afirma que podemos ser capazes de fazer o que quisermos com os nossos próprios corpos, mas temos que arcar com o custo das decisões que afetam os corpos dos outros.

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Este conceito foi aplicado para o HIV que Caplan considera a mesma coisa das descrições que fez anteriormente. Hoje é possível cobrar judicialmente das pessoas que mesmo sabendo que tinham o vírus, se alistam em um exército de revoltados que sai por aí com a intenção de contaminar tantos quantos ele possa.

Esta é mais uma discussão que se estabelece na sociedade para a qual cada um deve atentar, por todos serem potenciais vítimas deste acontecimento. A palavra e decisão fica com cada um. Mas existem razões para as reclamações de Caplan.