A situação é de tal forma caótica, que o Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará (SIMEC) e a Associação Médica Cearense (AMC) promovem a campanha "Corredômetro das Emergências", para divulgar o número diário de pessoas que se encontram "internadas" nos corredores dos principais hospitais de Fortaleza. O "Corredômetro" de ontem (14) registrou 339 pacientes em tal situação.

A morte de Francisca Aldeniza, por falta de leitos disponíveis nas UTI's (Unidades de Terapia Intensiva) de Fortaleza, espelha bem o drama que os cearenses enfrentam neste momento. No dia 16 de abril, ela tinha dado entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de um dos bairros da cidade, com problemas respiratórios.

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Ao constatar a gravidade do seu quadro clínico, o médico de plantão recomendou internação imediata em uma UTI de algum #Hospital. A espera foi longa e terminou em óbito, 13 dias depois.

Nem está valendo mais recorrer à justiça. Os familiares da falecida tinham até conseguido uma ordem judicial que garantia a transferência da então paciente Francisca para uma UTI num prazo de 24 horas. Mas a Secretaria Estadual de Saúde remeteu uma solução para a Central de Regulação de Leitos que, por sua vez, não conseguiu a almejada vaga.

Esse é apenas um dos muitos casos que atestam a precariedade do atendimento médico nas unidades de saúde cearenses. Após inúmeras denuncias de pacientes e dos próprios médicos, o Conselho Regional de Medicina do Ceará (CREMEC) decidiu preparar um relatório sobre todo esses problemas.

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Mas o presidente desse Conselho já confirmou a falta de medicamentos básicos em alguns hospitais, como por exemplo, antibióticos, analgésicos ou anti-hipertensivos. Em certos casos faltam até soro, gazes e seringas.

O Hospital Geral de Fortaleza (HGF), um dos maiores do estado, é também aquele com mais problemas. Mesmo assim, no mês passado, a direção desse hospital foi denunciada por abrir uma licitação que deveria contratar um buffet e apoio logístico para a Reunião Anual dos seus servidores. Ignorando os cerca de 60 pacientes "internados" nos seus corredores, o referido edital, entretanto cancelado, previa gastos de R$ 56,5 mil.

O Ministério Público Estadual teve de intervir na #Crise e até estabeleceu um prazo de 15 dias, até 1 de junho, para que a Secretaria Municipal de Saúde resolva o problema da falta de medicamentos nos postos de saúde. Por sua vez, o Governador do estado, Camilo Santana, anunciou como medida de emergência a criação de um Comitê para a Saúde, reunindo representantes do Tribunal de Justiça, Sindicato dos Médicos, Ministério Público, Universidades e outros setores responsáveis. #Governo

Entretanto, o Governador já referiu que essa crise não tem uma solução a curto prazo e explicou com números a situação de subfinanciamento da saúde brasileira. Em 2006, os Governos Federal e Estadual repartiam os custos da saúde nos estados. Hoje, a União repassa apenas 20% desses custos. Portanto, a crise poderá se alastrar a outros estados.