Em 2011, o FDA - Food and Drug Administration, órgão que avalia e regulamenta novos medicamentos e tratamentos nos EUA, relacionou uma possível associação entre implantes mamários com o linfoma anaplásico de grandes células (ALCL) - um tipo raro de câncer do sistema imunológico. No entanto, a ligação entre os implantes mamários e o câncer não é bem definida ou claramente apoiada.

Por mais que este estudo ainda não tenha relevância, o Instituto Nacional do Câncer da França recomenda o aviso sobre a chance, já que, em pesquisa também relacionada a ALCL, 18 mulheres francesas pós implante mamário foram acometidas pela doença.

ALCL é um tipo de linfoma não-Hodgkin LNH, raríssimo e considerado indolente que é caracterizado por proliferação de células do tipo T, de acordo com o US National Câncer Institute. Pode ser encontrado nos nódulos linfáticos, pele, ossos, tecidos moles, pulmões, fígado ou quando associado à implante de mama, o que é mais raro ainda.

A FDA relatou cerca de 60 casos de ALCL entre milhões de mulheres em todo o mundo que têm implantes mamários. A revisão de 2011 identificou 34 casos, e um pequeno número de casos adicionais foram reportados à FDA por vários grupos de fora.

Atualmente, algumas mulheres na troca dos seus implantes mamários, ou em uma nova intervenção, resolveram optar por não recolocar a prótese por conta de questões de saúde e prevenção. É o caso de Marlies Dingel, uma paciente alemã, que após 20 anos com a prótese mamária preferiu em uma nova cirurgia optar por extrair o implante.

Não há respostas claras sobre a certeza de que seja realmente uma causa do LNH o implante mamário. É fato que a mamografia pode estar um pouco comprometida devido à dificuldade do exame, isso pode esconder um possível câncer de mama. Outra evidência sobre o assunto é que próteses mais texturizadas estão associadas com a maior incidência de LNH de células do tipo T, tanto em mulheres avaliadas na França, quanto em mulheres avaliadas nos EUA.

Lukas Kenner, professor do Instituto Ludwig Boltzmann de Pesquisa do Câncer, afirma que a correlação entre o câncer do tipo LNH e a mamoplastia com prótese para ele é clara, mas antes de criar pânico é necessário ter em mente que existe tratamento para esse tipo de câncer e que a chance de cura é alta.

O grupo de pesquisa de Kenner também fez referência ao fato de que a provável causa dos linfomas em mulheres com implante mamário estaria associada a chance de se formar uma película bacteriana envolvendo o implante e a deficiência imunológica associada à características ímpares de cada paciente, que não eram conhecidas até associação desses fatores: implante mamário x tempo de implantação x linfoma. #Curiosidades #Medicina