A Raiva em humanos é uma zoonose, ou seja, passa do animal para o homem, e é causada pela inoculação do vírus presente na saliva do animal infectado, em geral por mordedura e mais raramente por arranhadura ou lambeduras. O agente causador é o Lyssavirus, da família Rhabdoviridae com oito genótipos.

As manifestações clínicas no homem

A sintomatologia e a evolução da encefalite rábica baseiam-se em duas alterações fisiológicas: hiperestesia e paralisia dos grupos de fibras musculares. Ou seja, o paciente apresenta uma hipersensibilidade aos estímulos sensoriais (tátil, olfativo, auditivo, luminoso, etc) e um comportamento muscular - miofasciculações - consequência da paralisia em grupos de fibras musculares de diferentes músculos e dificuldade de coordenação motora, seja voluntária ou involuntária.

  • Período prodrômico: com duração variável (entre horas a 3 dias).
As manifestações mais comuns são: a alteração da sensibilidade no local da lesão (formigamento, pontadas, dormência, calor ou frio); mudanças no comportamento habitual (o individuo extrovertido pode apresentar-se calado e o introvertido ficar super agitado, sendo muito comum a insônia). É comum a febre alta próxima a 41º C, principalmente no final desse período. Os sintomas e sinais surgidos nesta fase se agravam progressivamente até o Período de estado.

  • Período de estado: com duração de 2 a 10 dias.

Nesta fase, todos os sintomas se exacerbam surgindo a aerofobia e aumento da salivação, características da raiva. São comuns, também, alterações gastrointestinais, como vômitos e diarreia (às vezes com sangue), fenômenos alucinatórios, delírios e ansiedade. A resposta aos estímulos sensoriais é exacerbada, chegando frequentemente a paroxismo de agitação psicomotora. As fases de hiperexcitabilidade alternam-se com períodos de retorno à consciência.

As paralisias progridem de forma irregular e descoordenada. Em geral atingem a musculatura lisa e estriada, inclusive respiratória, gerando alterações ventilatórias. A morte se dá após complicações que comprometem vários órgãos e sistemas, inclusive acompanhadas de múltiplas infecções. A respiração assistida pode prolongar este período.

Diagnóstico Diferencial

Deve ser feito com todas as encefalites e meningoencefalites, quadros psiquiátricos (especialmente com histeria), tétano, febre por arranhadura do gato, botulismo e com acidentes pós-vacinais. Em relação a encefalites, o exame do líquor e a história de acidente com animal contribuem para o esclarecimento diagnóstico. #Curiosidades #Medicina

Nos outros casos, além da epidemiologia, frequentemente é a própria evolução da #Doença que permite o diagnóstico. Também a resposta do paciente à sedação nos casos psiquiátricos ou histéricos é muito maior e mais estável que nos pacientes com Raiva. É doença de notificação compulsória, devendo ser informada pelo meio mais rápido disponível e de investigação epidemiológica com busca ativa, para evitar a ocorrência de novos casos e óbitos.