Radiações no espaço podem provocar câncer, degeneração de neurônios e danos à capacidade cognitiva dos astronautas. Esta é a conclusão de um estudo científico publicado na revista Science com o objetivo de analisar os efeitos de viagens interplanetárias prolongadas na saúde de tripulantes das espaçonaves.


Para definir o que pode acontecer com o cérebro humano rumo a Marte, os pesquisadores usaram camundongos transgênicos de seis meses de idade. O experimento consistiu em bombardear os roedores com radiação semelhante a encontrada no espaço, com íons pesados. Após seis meses, foram realizados testes cognitivos. Os ratos apresentaram perda das funções de raciocínio, dificuldades em reconhecer objetos e encontrar caminhos que antes faziam parte de suas vidas. As cobaias também tiveram células degeneradas.


O experimento teve o objetivo de mostrar como a saúde do ser humano seria afetada durante uma longa permanência no espaço. O perigo está fora dos limites da magnetosfera da Terra. Lá predominam radiações cósmicas compostas por prótons energéticos e núcleos pesados. Estas energias atravessam os cascos dos veículos são produzidas pelos corpos celestes, por explosões de estrelas, por buracos negros e outros fenômenos espaciais.


Estudos científicos sobre o efeito dos raios cósmicos na saúde de humanos estão sendo feitos desde a década de 1990. E não apenas no espaço. Pesquisas tentam identificar os danos provocados em passageiros de aviões ou até mesmo pessoas que residam em locais muito elevados. Em 1996, o American Journal of Epidemiology publicou estudo que relata a incidência maior de câncer em pilotos canadenses.


Os seres que habitam a superfície da Terra estão relativamente protegidos. A maior parte da radiação espacial é filtrada pela magnetosfera de nosso planeta antes de chegar ao solo.

Soluções para viagens a Marte

A pesquisa com os ratos apontou outro perigo para os astronautas. A população tem que agir de modo consciente e crítico. Os camundongos mostram que além do risco de câncer, os raios cósmicos fragilizam a capacidade de tomada de decisões. A habilidade mental é de extrema importância para uma tripulação. E doses mesmo baixas de irradiação podem provocar dificuldades cognitivas.


Mesmo com todos esses problemas, mais de 200 mil pessoas se inscreveram para participar do projeto Mars One, uma viagem sem volta ao planeta Marte. Programado para 2023, a viagem é tida como sem volta. Diante de tantos problemas com a radiação, é incerto afirmar se a viagem terá mesmo uma chegada.
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