Estudo realizado por pesquisadores do Laboratório de Lípides (LIM-10), da Faculdade de #Medicina da USP, e publicado na revista Journal of Cellular Physiology, aponta que, no #Diabetes mellitus tipo 2, há maior acúmulo de colesterol nas células. Isso acontece porque há uma modificação da albumina pela glicose (glicação), afetando o processo de remoção de colesterol.

A glicação é o processo pelo qual a glicose reage e modifica a estrutura de proteínas, como a albumina, prejudicando o metabolismo celular. Segundo a pesquisadora Marisa Passarelli, responsável pelo trabalho, esse é um processo que ocorre naturalmente ao longo do envelhecimento, mas é acelerado em diabéticos com a #Doença descompensada, ou seja, não controlada.

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Além disso, o excesso de glicose no sangue, ou hiperglicemia, pode colaborar com a geração de espécies reativas de oxigênio (os radicais livres) e a formação dos AGEs - que são os produtos finais da glicação (do inglês advanced glycation end products).

Em portadores de diabetes mellitus, os AGEs encontram-se elevados e contribuem com o desenvolvimento da aterosclerose - uma das principais causas de morte entre esses pacientes. A aterosclerose é caracterizada pelo acúmulo de colesterol em determinadas células do sistema imune, os macrófagos, que se depositam nas artérias e restringem o fluxo sanguíneo.

A incidência de diabetes mellitus é extremamente alta em todo o mundo. Estudos mostraram que, em 2011, cerca de 360 milhões de pessoas eram diabéticas, sendo que mais de 95% dos casos eram de diabetes mellitus tipo 2.

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Estima-se que esse número aumentará para 552 milhões até 2030.

O estudo, realizado no Laboratório de Lípides, caracterizou o perfil de glicação da albumina de 11 pacientes com diabetes mellitus tipo 2 descompensados, comparados ao grupo controle, composto por 12 indivíduos saudáveis. Em seguida, incubaram macrófagos de camundongos com a albumina desses pacientes para verificar o mecanismo pelo qual a glicação afeta a remoção de colesterol.

No laboratório, foi observada diferença na expressão de genes envolvidos no efluxo de colesterol. Nos macrófagos tratados com albumina de pacientes diabéticos houve menor expressão do receptor ABCA-1, que é um dos principais responsáveis pela remoção de colesterol celular.

Resultados similares foram publicados previamente pelos autores, utilizando albumina de pacientes com diabetes tipo 1, tornando os presentes resultados mais consistentes e sugerindo que um inadequado controle glicêmico é fator de risco para o desenvolvimento da aterosclerose em pacientes com diabetes.

"A presente pesquisa evidencia que o bom controle glicêmico pode ajudar a prevenir alterações no metabolismo de colesterol. Pretendemos, agora, avaliar a saída de colesterol celular em pacientes, antes e após o controle glicêmico adequado", afirma Passarelli.