Médico dermatologista especialista pelo Conselho Federal de Medicina e chefe do Ambulatório de Dermatologia da Santa Casa de Porto Alegre (RS), Joel Schwartz não considera que o aumento frequente no número de clínicas estéticas possa ser prejudicial à saúde dos usuários. Para ele, todos os médicos, do ponto de vista da saúde pública, deveriam se preocupar com este tema.

Em #entrevista exclusiva à Blasting News Brasil, Schwartz, que também é Chefe do Ambulatório de Dermatologia da Santa Casa de Porto Alegre, além de atender na Clínica de Dermatologia Skin, de Porto Alegre, cobra prevenção dos brasileiros, comenta sobre os índices de câncer de pele no país e alerta sobre a necessidade de maior educação para qualificar a saúde.

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Blasting News Brasil: O crescimento do número de clínicas estéticas no país pode ser considerada, de alguma forma, prejudicial à saúde?

Joel Schwartz: Eu não vejo, sob nenhum aspecto, como fator de piora. Em relação ao aumento de das clínicas que trabalham com a estética, acredito que todos os médicos, no que diz respeito à saúde pública, deveriam se informar sobre este assunto. Os professores das Faculdades de Medicina devem ensinar a fazer diagnóstico precoce do câncer de pele e os dermatologistas deveriam focar mais nas doenças de pele do que a cosmiatria.

BN: Como você citou, o Brasil é um país que tem altos índices de câncer de pele. Há alguma explicação para isso?

JS: Eu explicaria através de quatro itens. Primeiro, na região Sul nós temos uma forte imigração alemã e italiana, com indivíduos com fototipo muito baixo, isto é, pessoas muito claras e propensas ao dano solar.

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Depois, temos as alterações na atmosfera, com deficiência na camada de ozônio, possibilitando a passagem de raios UVA e UVB. Além disso, há uma predisposição genética ao câncer de pele, principalmente em relação ao melanoma maligno. Por fim, é claro, também há a falta de informação e não utilização de métodos de prevenção, como roupas adequadas e filtros.

BN: O brasileiro não se preocupa em cuidar da própria pele?

JS: Falta educação em todos os sentidos. Os cuidados com a pele deveriam ser ensinados ainda na infância nas escolas, a exemplo do que é feito com os cuidados que se deve ter com os dentes. Campanhas de prevenção ao câncer também poderiam ser mais comuns, assim como trabalhadores expostos ao sol deveriam receber gratuitamente os filtros. Na pratica do consultório na rotina diária, nota-se resistência dos homens ao uso de filtros solares. Do lado das mulheres, a preferência é pelo bronzeado do que uma proteção adequada. São exemplos simples, mas que demonstram como a informação poderia ser útil.

BN: Faltam campanhas e uma política mais clara no sentido de prevenção?

JS: Sobre esse tema, não adianta chover no molhado. Educação, educação e educação. Acho, sinceramente, que a educação leva à saúde. #Beleza