A investigação da Polícia Federal (PF), iniciada em 2014, apurou o esquema que vinha se estendendo desde 2011 e que causou um prejuízo de R$ 5 milhões aos cofres públicos, pela ação de três médicos de Montes Claros, MG.

Os acusados foram detidos ontem (2) pela PF, suspeitos de fraudar o uso de próteses para desobstrução arterial coronária (stents) em dois hospitais da região, a Santa Casa e o hospital Dilson Godinho, ambos conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS). No total, foram presos três médicos, uma secretária, um representante comercia e dois empresários da indústria que fornecia os stents.

A PF investiga ainda a morte de um paciente que passou pelo esquema.

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Como funcionava o esquema?

Segundo a PF, a iniciativa do golpe partiu da empresa que forneciam as próteses. Os seus representantes procuraram os médicos e fizeram a propostas que, evidentemente, foi aceita.

Os stents eram fornecidos aos hospitais por meio de convênio, sendo que o pagamento pelos mesmos só era efetuado após o seu uso. Os médicos simulavam o uso dos aparelhos. Concediam ao paciente um laudo atestando boas condições de saúde, porém, apresentavam ao SUS outro laudo atestando o uso dos aparelhos. Recebiam, então, uma propina que variava de R$ 500 a R$1.000 por cada stent, sendo que cada um custa em torno de R$ 2.000 a R$ 11.000. Os stents eram descartados, utilizados nas clínicas particulares dos médicos fraudulentos ou processados novamente pelo SUS, com adulteração dos lotes.

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Em um mês, o grupo recebia cerca de R$ 110.000 e agia por meio de uma empresa de fachada para que pudesse executar as atividades fraudulentas. Além disso, os pacientes costumavam ser cobrados pelos procedimentos que já seriam arcados pelo SUS. Um dos pacientes, falecido, chegou a apagar R$ 40.000 aos médicos para ser atendido.

Indiciamento

Os integrantes do grupo foram indiciados pelos crimes de estelionato contra entidade pública, falsidade ideológica, associação criminosa, #Corrupção passiva, corrupção ativa e organização criminosa.

Situação no Brasil

Segundo a PF, situações semelhantes ocorrem por todo Brasil e serão em breve investigadas. O Ministério de Saúde já tomou providências, a fim de esclarecer o caso e evitar que novos aconteçam. Já o Conselho Regional de #Medicina prontificou-se a identificar os médicos envolvidos e promover a cassação dos seus registros profissionais. #Crime