Numa medida que terá implicações significativas para os produtores de ovos americanos e canadenses, o McDonald’s anuncia que eliminará o uso de ovos de galinhas criadas em gaiolas.

A empresa utiliza cerca de 2 bilhões de ovos por ano ou um pouco mais de 4% da produção dos Estados Unidos em 2014. Com menos de 10% das galinhas poedeiras do país alojadas fora de gaiolas, o McDonald’s levaria até 10 anos para atingir sua meta de ter 100% de galinhas poedeiras produzidas dessa maneira.

Na Califórnia, onde os produtores foram obrigados a fornecer mais espaço para as suas aves, estima-se que os preços de ovos subirão de 10 a 40%.

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Os produtores não argumentam, no entanto, que os varejistas vêm obtendo grandes lucros com os ovos produzidos sem gaiolas. Isso provoca uma distorção de mercado.

Marion Gross, vice-presidente sênior de Supply Chain no McDonald’s, disse que o impacto da sua decisão poderá reduzir o preço dos ovos produzidos sem gaiolas. "Acreditamos que ao longo do tempo, com a nossa escala, nós seremos capazes de mitigar o impacto de custos no nosso sistema", disse ela.

O McDonald’s fez esse anúncio em boa hora. Produtores de ovos podem converter aviários vazios após a epidemia de gripe aviária para operações livres de gaiolas. De acordo com o Departamento de #Agricultura, 6,4% das galinhas poedeiras do país estavam livres de gaiolas antes da epidemia.

Alguns estados também estão aprovando novas regras sobre produção de galinhas poedeiras.

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Os eleitores de Massachusetts, por exemplo, irão votar em um referendo próximo ano, que exigiria que todos os criadores de gado e de aves vendidos no estado proporcionem habitações mais espaçosas aos seus rebanhos. Massachusetts importa milhões de seus ovos de outros estados, por isso, a medida afetaria produtores para além das suas fronteiras.

As preocupações dos consumidores sobre a forma de obter carne têm aumentado e as empresas alimentares, cadeias de restaurantes e seus fornecedores vêm lutando para obter frango livres de antibióticos, bois criados à base de forragem e ovos produzidos sem gaiolas.

A empresa Burger King, rival do McDonald’s, foi uma das primeiras grandes cadeias de fast-food a prometer usar ovos produzidos sem gaiolas, visando converter sua cadeia de fornecimento até 2017.

"Nós somos um grande comprador de ovos nos EUA e no Canadá e nossa escala nos torna capazes de influenciar isso", disse Gross. "Nem sempre é fácil, mas é um desafio possível".

Defensores da adoção do bem-estar animal há muito tempo fazem lobby para que o McDonald’s use ovos produzidos sem gaiolas, argumentando que a empresa poderia ter um enorme efeito sobre o bem-estar das galinhas poedeiras.

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A maioria dessas aves vivem atualmente em gaiolas com menos espaço do que uma gaveta de arquivo, embora o estado da Califórnia exija que os produtores do estado deem mais espaço às suas galinhas.

"O anúncio do McDonald’s encerra dúvidas sobre o futuro das gaiolas na indústria", disse Paul Shapiro, vice-presidente de proteção animal de fazenda na Humane Society dos Estados Unidos. Ele disse que a medida afetaria cerca de oito milhões de galinhas poedeiras. Shapiro observou ainda que o McDonald’s já utiliza ovos produzidos sem gaiolas em lugares como a União Europeia e a Austrália.

O McDonald’s estuda o caso das galinhas poedeiras desde 2010, como parte da Coalition for Sustainable Egg Supply. Gross disse que cerca de 13 milhões de ovos usados atualmente pelo McDonald’s estavam livres de gaiolas.

A companhia Herbruck’s Poultry Ranch, situada em Michigan, será a primeira grande produtora de ovos a converter seus aviários para abastecer o McDonald’s. Eles já estavam mudando seus aviários para cumprir uma lei de bem-estar animal aprovada em 2009.

No sistema de produção sem gaiolas, as galinhas ficam livres para correr ao redor dos aviários em vez de serem confinadas em jaulas. Há plataformas, níveis e espaços de nidificação. "Não há gaiolas nestes sistemas - será uma alteração significativa", disse Gross. #Animais #Alimentação Saudável