Enquanto filmavam pequenos tubarões e recifes de corais nas Ilhas Salomão, no Pacífico Sul,  biólogos marinhos tiveram um encontro deslumbrante com uma "brilhante" tartaruga marinha. 

Segundo a CNN, os cientistas capturaram imagens neon verdes e vermelhas de uma tartaruga marinha que emite luminescência. A descoberta foi feita no final de julho por David Gruber da Universidade da Cidade de Nova York e sua equipe.

As imagens foram divulgadas pela primeira vez na segunda-feira (29). Gruber, um explorador emergente do National Geographic, descreveu a tartaruga como “uma nave alienígena” quando ele inicialmente a viu nadando na água. "Foi absolutamente lindo", disse Gruber.

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A tartaruga nadou em meio as luzes da equipe, enquanto eles estavam filmando corais debaixo d’água. "A aparência da tartaruga foi inesperada e pegou todos de surpresa", segundo o cientista. Nos últimos anos, os cientistas começaram a prestar mais atenção a biofluorescência em espécies marinhas. "É um pouco como um romance de mistério", disse Gruber.

"Tudo começou com águas-vivas e corais, e as moléculas de água-viva e coral fluorescente  levaram a avanços monumentais na ciência biomédica. A fluorescência ajudou a fornecer um meio para se observar o funcionamento interno das células e levaram a um grande avanço em pesquisas no campo da biofluorescência”, Gruber explicou. 

Entenda

Encontrar um réptil que exibe biofluorescência abre um novo conjunto de perguntas: Por que uma tartaruga é emissora de luz? Qual é a composição química? Ao contrário de bioluminescência, que é quando um organismo produz sua própria luz através de reações químicas, como os vaga-lumes fazem, a biofluorescência é quando um animal absorve a luz, a transforma e depois a irradia, por vezes, em cores diferentes.

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Os cientistas descobriram a presença de biofluorescência em corais e artrópodes, como caranguejos, insetos e em mais de 200 espécies de tubarões e peixes. Em corais vivos, em partes ensolaradas sobre o oceano, por exemplo, usam as funções biofluorescencentes como uma forma de protetor solar.

Estudos iniciais sugerem que alguns peixes biofluorescencentes utilizam essa capacidade como uma forma de sinalizar uns aos outros. "Isso ocorre em peixes e tubarões, e agora em tartarugas, o que é muito mais misterioso", disse Gruber. 

Tipicamente, a biofluorescência é usada para atrair a presa e é utilizada como uma forma de defesa. As luzes de neon podem ajudar na camuflagem da tartaruga. Mas Gruber explicou que pode ser cedo demais para entender por que a tartaruga irradia essas luzes. 

"O oceano é o lugar perfeito para evoluir estes tipos de moléculas fluorescentes, porque é quase completamente azul. O oceano absorve quase todas as outras cores exceto azul, assim, estes animais estão criando maneiras de captar essa luz azul e como ela deve se transformar em outras cores", disse ele. 

Espécie ameaçada.

Os cientistas estão apenas começando a entender o processo.

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"Este é apenas mais um exemplo mostrando quais os muitos mistérios o oceano tem reservado para nós", disse ele. No entanto, a tartarugas estão sendo criticamente ameaçadas por causa das mudanças climáticas. Em certas áreas, há apenas algumas milhares de fêmeas reprodutoras. "Seus números têm realmente diminuido, e ainda assim não podemos compreendê-las. Para mim, há um senso de urgência para proteger e entender estas espécies, enquanto elas ainda estão aqui", disse ele. #Natureza #Animais #Sustentabilidade