Cientistas chineses descobriram uma mutação genética que está tornando algumas bactérias resistentes aos antibióticos. E uma das causas desse problema é a automedicação.

A professora Mariza Dias Belarmino já foi alertada pelos médicos muitas vezes. Mas ela confessa: sempre que tem um problema de saúde, recorre aos remédios que sobraram de tratamentos anteriores. Tem até antibióticos.

“Eu não descarto ele, eu guardo, se por acaso me der alguma dor que eu sei que aquele antibiótico vai melhorar, eu tomo ele”, diz. Uma prática tão comum quanto perigosa. Segundo pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, três em cada quatro brasileiros tomam remédios por conta própria, e isso pode estar fazendo com que esses medicamentos se tornem cada vez menos eficazes.

Publicidade
Publicidade

“Pode acontecer de gerar ou induzir resistência e daqui a pouco esse antibiótico forte não servir para tratar uma infecção grave”, explica a médica pneumologista Andrea Cunha.

Faz tempo que a ciência estuda bactérias resistentes a antibióticos. Mas agora, cientistas chineses descobriram uma mutação genética que torna essas bactérias imunes à colistina, um dos medicamentos mais potentes, e que costuma ser usado quando todos os outros não tiveram efeito. Por isso mesmo, a notícia é tão preocupante. Se essa condição se espalhar pelo mundo, seria como se a medicina voltasse quase à estaca zero. Tudo o que se descobriu até hoje no combate a muitas doenças pode simplesmente não valer mais. 

O gene modificado foi encontrado em animais e pessoas na China e a resistência já começou a se espalhar para outros países, entre eles Laos e Malásia. “Isso é muito grave porque a gente está perdendo armas potentes diante da infecção”, diz a pneumologista Andréa Cunha.

Publicidade

Justamente o que pode ter acontecido com a Dona Mariza. O médico prescreveu um antibiótico que não fez efeito. Ela ficou 15 dias internada. “Ela ficou resistente, demorou um tempo para curar, eu creio que seja também por causa da automedicação, que a gente se automedica, na hora que precisa o antibiótico tem que ser cada vez mais forte”, diz. #Comportamento #Doença