O mosquito Aedes aegypti, vetor da #Dengue e dos vírus chikungunya e zika, conforme comprovado, não se intimida com dedetização, vulgarmente conhecida como fumacê. Os repelentes testados não nos garantem total proteção, além das marcas não estarem de acordo com o tempo de ação prometido em seus rótulos.

A comunidade deve ter sempre em mente o alvo: o criadouro, cortando-se o mal pela raiz, como prega o dito popular – é o estágio larval do mosquito que necessita ser interrompido. Entretanto, muitas vezes é tarde demais.

A preocupação com os índices de dengue, chikungunya e zika, levou o município de Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife, a adotar drones.

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Além dos drones, de acordo com informações do jornal “O Estado de São Paulo”, a cidade de São Carlos, no interior paulista, está prestes a se valer do Bacillus thuringiensis israelensis (BTI), podendo se tornar a primeira cidade livre da dengue. O BTI é um micro-organismo capaz de “cortar o mal pela raiz” – além de exterminar as larvas do mosquito pode, inclusive, ser ingerido por nós, sendo inofensivo também a outros vertebrados e ao ambiente.

Como a bactéria age? Ela sintetiza cristais proteicos e tóxicos; estes, ao serem ingeridos pelas larvas, se dissolvem no intestino liberando as protoxinas possuidoras de poros em sua membrana, que as levam à morte.

Conforme dados coletados pelos pesquisadores do Departamento de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola da USP, Ricardo Antonio Polanczyk, Marcelo de Oliveira Garcia e Sérgio Batista Alves, no Brasil, o Estado do Rio Grande do Sul foi o primeiro a usar o BTI, em 1983; porém, seu uso era baixo.

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Peru, Equador, a região Amazônica do Peru e Cuba o comercializaram muito antes e em larga escala, obtendo excelentes resultados. Os tabletes de Culinex®-Bti foram usados por muitos anos na Alemanha.

Ainda segundo os autores supracitados, em 2001, inseticidas à base de BTI foram utilizados em Santos, São Vicente, Cubatão, Guarujá e Praia Grande, mas seu uso quase foi suspenso no mesmo ano, pois verificou-se entupimento nas calhas e ralos. Atualmente, fomos salvos pelas drágeas do bioinseticida.

De acordo com Paolo Zanotto, coordenador da rede de cientistas que combaterá o vírus, esferas (drágeas) são jogadas nos criadouros e em menos de 5 horas, o bacilo mata 50% das larvas. E não para por aí! Sua letalidade aumenta e 100% são mortas por mais de 10 semanas.

Zanotto, em reunião com o secretário de Saúde de São Carlos, na sexta-feira, dia 18, convenceu-se que a cidade é ideal para a montagem da estratégia, pois o município conta com um programa de combate aos focos integrado por milhares de crianças.

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Após o treinamento, elas recebem uma espécie de credencial policial, tornando-se vigilantes dos mosquitos e Zanotto se valerá justamente da capacitação destas crianças para, ao encontrarem os criadouros, aplicarem o BTI. Com isto, São Carlos poderá ser a 1ª cidade livre do mosquito.

Outro projeto, também já foi testado por Zanotto, mas em 2012, no Guarujá, litoral paulista, quando havia sido previsto um surto de dengue para 2013.

Até então, era impossível detectar os mosquitos e as pessoas infectadas antes do surgimento dos sintomas, mas graças ao projeto em questão, foi possível descobrir de qual indivíduo veio o vírus, evitando a epidemia.

Logo que identificaram os pacientes positivos, os pesquisadores analisaram a genética do vírus e o seu genoma foi sequenciado. Como o vírus ao se espalhar vai se transformando, por meio do sequenciamento sabe-se quem o transmitiu a quem. Com isto, descobriram que o vírus se concentrava em dois bairros e puderam, com precisão, combater os focos.

As notícias prosseguem animadoras, caro leitor – este projeto será retomado na mesma cidade, no verão, época de aumento dos mosquitos. #Curiosidades