Pesquisadores da França puderam aprofundar seus estudos e conhecimentos em 5 corações, de cerca de 400 anos, que estavam em boas condições de conservação em um sítio de arqueologia daquele país. Os cientistas utilizaram uma técnica idêntica à utilizada nos exames diagnósticos de neoplasia e da forma como se manifesta.

Os resultados iniciais foram liberados no encontro anual da Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA), em Chicago. nos EUA. Foi em 2014 que os arqueólogos franceses do Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas (INRAP) deram início as escavações no subsolo ou porão do Convento dos Jacobinos, na cidade de Toulouse, local esse de onde trouxeram à superfície muitas tumbas datando do final do século XVI ao início do século XVII.

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No meio de todo o material vasculhado debaixo dos escombros dos arcos e coberturas funerários, havia 5 relicários feitos a base de chumbo no formato de coração, e no interior de cada estava guardado um coração humano de verdade, provavelmente oriundo das famílias nobres daquela época. A partir de então, os pesquisadores resolveram criar um grupo multidisciplinar de radiologistas, arqueólogos, médicos legistas, físicos e patologistas para que pudessem “ler” todos os registros encarcerados nos órgãos.

Rozenn Colleter, uma das arqueólogas do INRAP e pertencente à equipe em questão, disse que “o mecanismo de embalsamamento de corações era comum no Renascimento com os nobres e realeza da França... a prática foi desaparecendo paulatinamente após a Revolução Francesa”. Colleter ainda usou imagens incríveis de ressonância magnética e tomografia computadorizada para ilustrar as descobertas clínicas, mas as informações conseguidas ainda eram escassas, devido basicamente à barreira dos materiais de preservação que embalsamaram os corações nesses 4 séculos.

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Fátima-Zohra Mokrane, que além de radiologista do Hospital Universitário de Toulouse foi a líder da empreitada, falou:  “buscamos por informação sobre a saúde dos órgãos embalsamados, todavia o material usado para a conservação acabou atrapalhando”. Daí, então, os pesquisadores limparam diligentemente os corações, extraindo o agente embalsamador e refazendo os exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Só assim os profissionais distinguiram variadas partes do coração, tais como as câmaras, as artérias coronárias e válvulas. Ainda reidrataram cada coração com o objetivo de identificação dos músculos cardíacos. Técnicas modernas de dissecação, o estudo anatômico externo e a historiologia, serviram como apoio na identificação dos tecidos.

Um fato curioso nesse trabalho ocorreu no transcurso da escavação, pois foi encontrado um coração que se pode dizer que "tinha dono". Era o coração de um homem – identificado posteriormente com a inscrição de um dos relicários como Toussanint Perrien, cavaleiro de Brefeillac – que havia sido extraído após o óbito do mesmo e foi enterrado junto ao da sua esposa, Louise de Quengo, senhora de Brefeillac, sendo que o corpo da mulher foi encontrado junto no porão.

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A radiologista Mokrane parafraseou dizendo: “nos séculos atrás era algo comum ser enterrado com o coração do marido ou da esposa e foi o que se sucedeu com um dos corações que descobrimos; enfim, uma característica bastante romântica para sepultamentos”. #Curiosidades #Medicina #Comportamento