Para gerar conhecimento e estabelecer tratamentos que possam melhorar a qualidade de vida das pessoas autistas, pesquisadores da China conseguiram produzir comportamentos da síndrome em macacos, através da introdução de um gene humano no genoma dos primatas. Embora a proposta possa obter respostas positivas, ainda não é bem vista por pesquisadores ao redor do mundo.

Para gerar os macacos com o autismo, os cientistas introduziram o gene humano MeCP2, exibindo sintomas comportamentais iguais aos observados em crianças com síndrome de duplicação do mesmo gene. Os sintomas incluem movimentos repetitivos, ansiedade e diminuição da interação social.

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Nos seres humanos, a síndrome de duplicação se desenvolve quando os seres humanos têm cópias extras de genes MeCP2. Para replicá-la em macacos, eles implantaram mais de 50 embriões em 18 animais substitutos. Nove do sexo feminino ficaram grávidas, entretanto, apenas oito filhotes de macacos nasceram. Além disso, os macacos foram capazes de passar o gene e seus sintomas associados até seus filhos.

De acordo com o The Verge, o trabalho pode dar aos pesquisadores a oportunidade de estudar a genética dos distúrbios do espectro do autismo de uma forma muito mais robusta e chegar a tratamentos para reduzir os sintomas de autismo em humanos. Antes da elaboração da pesquisa, os testes eram feitos em roedores, que não correspondiam 100% os distúrbios cerebrais complexos, então, não era possível chegar a resultados satisfatórios.

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Porém, mesmo com os teste dos mamíferos, a pesquisa pode não ser totalmente válida.

Ao contrário de crianças que têm a síndrome MeCP2 de duplicação, os macacos no experimento não tiveram de forma severa o atraso de desenvolvimento, sendo que apenas os machos apresentaram déficit de interação social. Além disso, o alto custo de produção dos animais e da pesquisa, pode ser uma barreira para a continuação das investigações.

Contudo, os cientistas que produziram os macacos são muito mais otimistas. Estes macacos "são os primeiros modelos primatas de autismo", afirmou Zilong Qiu, um neurocientista da Academia Chinesa de Ciências em Pequim, e um co-autor do estudo. "Estou emocionado com a possibilidade de que possamos ser capazes de inverter as causas genéticas do autismo-modelo de macaco transgênico."

Agora, o foco é utilizar a tecnologia de imagem cerebral para identificar os circuitos cerebrais que desempenham um papel em comportamentos do autismo, assim como dos macacos. Se os pesquisadores conseguirem fazer isso, eles podem ser capazes de "resgatar os circuitos cerebrais afetados", sendo uma conquista para minimizar a #Doença.

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No Brasil, a Associação Brasileira de Autismo (ABRA) divulgou, em 2014, a distribuição do medicamento Risperidona através do Sistema Único de Saúde (SUS) para tratar os sintomas do autismo, ajudando em crises de agressividade, irritação e agitação. A distribuição começou a ser feita em 2015 e deve ser intensificada este ano. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a estimativa é de que 70 milhões de pessoas no mundo tenham a síndrome. No Brasil, o número é próximo de 2 milhões. #Inovação #Medicina