Pesquisadores da Universidade de Harvard descobriram que, em ambos estudos de laboratório e em ratos, o delta-tetraidrocanabinol (THC) corta o crescimento do tumor pela metade em cânceres de pulmão comuns, enquanto impede a metástase dos mesmos. Dr. Len Horovitz, um especialista pulmonar do Hospital Lenox Hill em Nova York, explicou que o composto “parece ter um efeito supressor sobre certas linhas de células de câncer”.

De acordo com os pesquisadores, o THC combate ao câncer de pulmão por limitar o fator de crescimento epidérmico (EGF), uma molécula que promove o crescimento e propagação de células não-pequenas particularmente agressivas.

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“Parece ir aos locais dos receptores EGF nas células e inibem o crescimento”, disse Horovitz, que não estava envolvido no estudo. 

Descobertas preliminares; outros especialistas, externos ao estudo, pedem cautela

“É um interessante estudo de laboratório, mas é preciso ter estudos animais adicionais o suficiente para certificar que o efeito pode ser reprodutível e ter certeza que não existem efeitos tóxicos evidentes,” disse Dr. Normal Edelman, médico chefe da Associação Americana do Pulmão. “É um pouco mais do que tentador porque é um composto que sabemos que tem estado em seres humano e não causou grandes problemas.”

Os resultados foram apresentados esta semana na reunião anual da Associação Americana para Pesquisa do Câncer (AACR) em Los Angeles.

Este tipo de câncer é o que causa mais mortes no mundo

Tumores de pulmão que produzem o receptor EGG em excesso tendem a ser muito agressivos e não respondem bem à quimioterapia.

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THC é o ingrediente ativo principal da Cannabis sativa – maconha. Mostrou-se inibir o crescimento de tumor em câncer, mas informações específicas sobre sua ação contra o câncer de pulmão ainda são limitadas.

No novo estudo, os pesquisadores primeiramente mostraram que duas linhas de câncer de pulmão diferentes, bem como amostras dos tumores do pulmão dos pacientes, produziram os receptores canabinóide CB1 e CB2. Endocanabinóides – canabinóides produzidos naturalmente no corpo – são considerados para ter um efeito sobre a dor, a ansiedade e a inflamação quando ligados aos receptores canabinóides.

Em seguida, os pesquisadores injetaram doses padrão de THC em ratos implantados com células cancerígenas do pulmão. Após três semanas de tratamento, os tumores diminuíram cerca de 50% nos animais tratados com THC, comparados com aqueles em um grupo de controle sem tratamento, reportaram os pesquisadores.

As descobertas podem lançar uma luz sobre uma questão que tem intrigado Horovitz: "Por que não houve um aumento no câncer de pulmão na geração que fumou muita maconha na década de 1960?"

 “Acho isso fascinante, pergunto-me se os motivos pelos quais não vemos esse aumento é devido ao THC”, disse ele.

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“Seria muito irônico, embora você certamente não diria a alguém que fumava cigarros para adicionar maconha”.

Um segundo conjunto de resultados, apresentados na reunião anual da Associação Americana para Pesquisa do Câncer (AACR) em Los Angeles, sugeriu que uma terapia de gene baseada em vírus poderia visar tumores ambos primários e distantes, ignorando as células saudáveis. Quando foi injetado em 15 ratos com câncer de próstata, esta terapia eliminou todos os sinais de câncer, curando eficazmente os roedores. Pesquisadores da Universidade de Columbia, Nova York, disseram que a terapia também funciona em animais com câncer de mama e melanomas. #Curiosidades #Doença