Especialistas alertam para a total falta de estrutura da saúde no Brasil para enfrentar o drama da microcefalia e declaram que as centenas de bebês com diagnóstico da doença tem futuro incerto. Entre 583 casos de microcefalia investigados no país, 67 tinham o Zika Vírus. A  Drª Maria Ângela Rocha, chefe da infectologia pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no Recife (PE), declarou que "uma demanda dessa é algo totalmente inesperado. A gente teve que se organizar". Segundo a médica, o problema são as decisões tomadas após o diagnóstico porque as crianças vão precisar de atendimento pelo resto de próprias vidas.

O controle 

O despreparo do Brasil para lidar com a doença e a explosão de bebês com a mesma está totalmente fora de controle pelo Ministério da Saúde, que não sabe nem a capacidade de sua rede.O tempo de espera por atendimento para cada gestante no caso de suspeita de microcefalia é de 2 a 3 meses, o que é muito superior ao esperado.

Publicidade
Publicidade

Só existem no Brasil 1543 unidades de reabilitação. O Rio de Janeiro levou 5 meses para liberar o medicamento para a criança com microcefalia, e o custo para cada paciente com a paralisia cerebral grave é de R$6.000,00 reais mensais.

Estado

Segundo pesquisas, as famílias dos bebês com suspeita de microcefalia em sua maioria possui baixa renda. Em declaração, o professor de saúde coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) disse que o SUS começou a rede de reabilitação há pouco tempo.Só existem 136 Centros Especializados em Reabilitação (CER) no país e somente no final de 2015 a presidente Dilma Roussef criou mais 89 unidades. Além disso, o Ministério da Saúde não sabe dar a precisão da capacidade de atendimento desses serviços e tampouco onde serão instaladas as novas unidades.

Publicidade

O Governo Federal se isenta da responsabilidade, que repassa o recurso e não toma conhecimento sobre um programa para estruturar este serviço. Segundo o Superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDPD), há uma omissão de responsabilidade nos 3 níveis do governo. O fato é que está longe de se saber o que fazer durante a gravidez para não se desenvolver a microcefalia. Em contrapartida, os casos exigem uma atenção redobrada nas primeiras horas de vida dos bebês. A criança com microcefalia pode causar um risco para o parto.

Solução na justiça

Para as mães de bebês com a microcefalia que moram em regiões afastadas não existe atendimento em nenhum nível. Só poderão ter a solução na #Justiça, mas, na prática, apesar das leis favoráveis aos casos de pessoas com deficiência, o descaso das autoridades competentes e da política brasileira é muito grande. Em resumo, o país não tem infraestrutura para combater os casos graves da doença. #Dilma Rousseff #Zika Vírus