Nesta terça-feira (5), cientistas dos Estados Unidos e da Alemanha divulgaram a informação de que conseguiram manter corações de porcos transplantados em babuínos, primatas muito próximos dos seres humanos, por um período recorde de 945 dias (cerca de 2,5 anos). O melhor resultado anterior havia sido a manutenção de corações vivos por apenas 6 meses.

A despeito de toda a polêmica que envolve o direito dos #Animais, e seu uso como cobaias em experimentos científicos envolvendo transplantes, pesquisadores têm feito avanços consideráveis nesta área da medicina. Muhammad Mohiuddin, coautor do experimento realizado no Lung and Blood Institute, em Maryland, Estados Unidos, revelou que para evitar a rejeição dos órgãos suínos por parte dos primatas foram utilizadas técnicas de modificação genética e uso de drogas imunossupressoras.

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Sobre o estudo, Mohiuddin declarou, por e-mail, à agência de notícias AFP: "É muito importante porque nos leva um passo mais perto da utilização desses órgãos em humanos. Xenotransplantes - transplantes de órgãos entre espécies diferentes - poderiam salvar milhares de vidas todos os anos, que são perdidas devido a uma escassez de órgãos humanos para transplante".

Procedimentos inovadores e rejeição de órgãos

O experimento realizado em Maryland envolveu 5 babuínos, onde os corações de porcos foram ligados ao sistema circulatório dos primatas. Em outras palavras, os babuínos não tiveram seus corações substituídos: os órgãos transplantados foram apenas mantidos funcionando juntamente com os corações originais dos hospedeiros, através de dois grandes vasos sanguíneos localizados no interior dos abdomens das cobaias.

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A rejeição a órgãos transplantados acontece quando o organismo do receptor desencadeia uma resposta imunológica, reconhecendo o novo órgão como uma espécie de “ameaça”. Para que esse processo não ocorresse em Maryland, ou pelo menos fosse diminuído, os porcos doadores foram modificados geneticamente para que possuíssem uma tolerância mais alta a possíveis respostas imunes, fazendo com que seus órgãos se tornassem “invisíveis” para o sistema imunológico dos receptores. Além disso, os babuínos receberam uma droga que suprime a resposta imunológica para estender ainda mais as possibilidades de sucesso.

Segundo Mohiuddin, o próximo passo é a utilização de corações deste mesmo tipo de porcos modificados para substituir os corações originais de babuínos, como um teste de suporte de vida completo.

Porém, críticos da técnica afirmam que o procedimento não daria certo em pessoas, pelo fato de que o ciclo de vida dos suínos é mais curto do que o de seres humanos, o que tornariam necessários transplantes recorrentes, além do fato de que assim poderiam ser transmitidas doenças até então desconhecidas ou inexistentes. #Medicina #sistema de saúde