Distante cerca de 1.200 anos-luz da Terra, localizado na direção da constelação de Lyra, o planeta Kepler-62f, aproximadamente 40% maior que o nosso, é o melhor candidato a abrigar vida, segundo a astrônoma Aomawa Shields, da Universidade da Califórnia (UCLA), principal autora do estudo.

A pesquisa, divulgada sábado, 27, na revista científica online PHYS.org, indica que o promissor exoplaneta deve ser rochoso. Além disso, ele pode conter oceanos.

De acordo com a revista, o Kepler-62f foi descoberto em 2013, durante a missão Kepler, da Agência Espacial Americana (Nasa). À época, cientistas constataram que ele era o mais distante dos cinco planetas que orbitam uma estrela menor e mais fria do que o nosso Sol.

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No entanto, a missão não havia produzido informações sobre a composição, atmosfera e a órbita do astro.

Com objetivo de conhecer as características daquele corpo celeste, Shields colaborou no estudo, auxiliada pelos astrônomos Rory Barnes, Eric Agol, Benjamin Charnay, Cecilia Bitz e Victoria Meadows, todos da Universidade de Washington.

Embora não haja tecnologia capaz de visualizar exoplanetas, a equipe elaborou possíveis cenários sobre a atmosfera e a órbita do astro, para determinar se ele pode sustentar vida.

“Descobrimos que há múltiplas composições atmosféricas que permitem que ele seja quente o suficiente para ter água líquida na superfície”, fala a astrônoma da Universidade da Califórnia, ao ressaltar que essas peculiaridades o tornam um forte candidato a abrigar vida.

Devido ao Kepler-62f estar mais distante de sua estrela-mãe (equivalente ao que o Sol é para nós), ele necessita de mais dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, do que o encontrado na Terra, para ser quente o suficiente ao ponto de manter água líquida na superfície e evitar o congelamento.

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A acadêmica destaca que durante as simulações de computador, o planeta apresentou atmosfera até 12 vezes mais espessa que a da Terra; também foi identificado várias concentrações de dióxido de carbono na atmosfera, que variam da mesma quantidade à encontrada no nosso planeta, até 2.500 vezes acima desse nível, além de detectar diferentes configurações para a trajetória orbital do Kepler-62f.

Shields enfatiza a necessidade de o planeta ter a atmosfera de três a cinco vezes mais espessa que a da Terra, e ser composto inteiramente de (CO2), para que ele possa ser habitado durante o ano.

Cientistas calcularam a possível trajetória orbital do exoplaneta por meio de um modelo de computador existente chamado HNBody. Para simular o clima do Kepler-62f, eles usaram diversos modelos climáticos globais. 

A pesquisa foi publicada online na revista Astrobiology, e estará em uma futura edição impressa. #Mídia #Curiosidades #Internet