Parece ficção científica, mas os cientistas Pablo Ross, da Universidade da Califórnia (Davis), Juan Carlos Izpisua Belmonte, do Salk Intitute for Biological Studies e Hiromitsu Nakauchi, da Universidade Stanford (instituições também localizadas no mesmo estado americano), estão criando embriões que são uma mistura de seres humanos e de porcos.

Os organismos resultantes são conhecidos como quimeras, e o experimento visa a criação de um pâncreas, para ajudar pacientes diabéticos.

Processo de criação das quimeras

Para a criação dos organismos, Pablo Ross utiliza embriões de porcos. O primeiro passo consiste em remover o gene responsável pelo desenvolvimento do pâncreas nos animais.

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Através de um microscópio, e usando um laser, Ross faz um pequeno buraco na membrana externa que envolve o embrião, e injeta uma molécula sintetizada que inibe o gene responsável pela formação do pâncreas.

Depois desta modificação feita no DNA dos embriões, o cientista cria outro furo na membrana, dessa vez para injetar células-tronco pluripotentes induzidas de seres humanos, mais conhecidas como células iPS ou iPSCs. Assim como as células-tronco embrionárias humanas, as células iPS têm a capacidade de se transformar em qualquer outro tipo de célula ou tecido do corpo, e podem ser produzidas a partir da pele de seres humanos adultos.

Uma vez que o procedimento esteja concluído, Ross implanta os embriões em úteros de porcas adultas, através de um procedimento cirúrgico.  Então, aguarda seu desenvolvimento até o 28º dia – momento em que os órgaõs começam a se formar –, remove-os dos úteros e os disseca, para ver o que as células humanas estão fazendo com o organismo embrionário.

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Incertezas e ética

A esperança de Ross e de seus associados é que as células iPS aproveitem o “vazio” criado artificialmente e comecem a formar um pâncreas humano no embrião.

O grande problema é que há muita incerteza com o que pode acontecer no experimento, pois as células-tronco humanas poderiam ir para outros lugares no organismo, como por exemplo, para o cérebro, o que poderia, em tese, criar um porco com um cérebro parcialmente humano. Dotado de consciência, inclusive.

É o que alega Stuart Newman, professor de biologia celular e anatomia da New York Medical College. Além de Newman, os Institutos Nacionais de Saúde da América também não concordam com os experimentos, tendo inclusive pedido a suspensão do financiamento da pesquisa, enquanto as questões éticas que envolvem as quimeras são exploradas.

Pablo Ross, no entanto, rebate as críticas: "Nós não estamos tentando fazer uma quimera só porque nós queremos ver algum tipo de criatura monstruosa. Estamos fazendo isso por um propósito biomédico". #Medicina #Doença #EUA