O gigante gasoso, Netuno, constituído de um pequeno núcleo rochoso, com tamanho equivalente a 17 massas da Terra, considerado o oitavo e mais distante planeta do sistema solar – desde o rebaixamento de Plutão a planeta anão, em 2006 -, voltou a chamar a atenção da Agência Espacial Americana (NASA), após cientistas notarem uma anomalia na superfície do astro.

Conforme um comunicado da NASA, na página da entidade em 23 de junho, novas imagens obtidas em 16 de maio pelo Telescópio Espacial Hubble, mostraram a presença de um vórtice escuro na atmosfera de Netuno. Os pesquisadores explicaram que características semelhantes haviam sido observadas em 1989, quando a sonda Voyager 2 sobrevoou o planeta naquele ano, e em 1994, pelo Hubble.

Publicidade
Publicidade

Porém, acrescentaram que este vórtice foi o primeiro registrado em Netuno no século 21.

Segundo a agência, a revelação foi feita em 17 de maio pelo astrônomo Mike Wong, responsável por liderar a equipe que analisou os dados do Hubble. A NASA salientou que esses ‘gigantescos redemoinhos escuros’ de Netuno são causados pelos sistemas de alta pressão, e destacou que os vórtices geralmente são acompanhados por nuvens brilhantes, formadas quando o fluxo do ar local é perturbado e desviado para cima sobre o vórtice escuro.

Wong enfatizou que no nosso planeta, nuvens semelhantes às detectadas em Netuno podem ser encontradas em locais de altitude elevada. Ele explanou que as chamadas nuvens orográficas, que têm forma de panqueca, formam-se sobre as montanhas.

Primeiras impressões

Embora a revelação do vórtice só tenha acontecido em maio desse ano, desde julho de 2015, vários astrônomos, desde os amadores aos profissionais do Observatório WM Keck, no Havaí, haviam percebido a presença de nuvens brilhantes no astro.

Publicidade

À época, eles já suspeitavam que estas nuvens pudessem estar acompanhando um vórtice escuro ‘invisível’.

De acordo com a NASA, esse tipo de ‘redemoinho’ só pode ser visto em comprimentos de onda azul. “E só o Hubble tem a alta resolução necessária para vê-los no distante Netuno”, escreveu a agência.

Os pesquisadores argumentaram que em setembro de 2015 o programa "Outer Planet Atmospheres Legacy" (OPAL), um projeto de longo prazo que utiliza o Telescópio Espacial Hubble com objetivo de mapear os planetas exteriores, a fim de compreender as dinâmicas atmosféricas dos gigantes gasosos, evidenciou uma mancha escura próxima à localização das nuvens brilhantes. “Ao ver o vórtice uma segunda vez, as novas imagens do Hubble confirmaram que o OPAL realmente detectou uma característica de longa duração. Os novos dados permitiram à equipe criar um mapa do vórtice e seus arredores de melhor qualidade”, avaliou a NASA.

Apesar de os cientistas descobrirem algumas características desses vórtices, astrônomos planetários avaliam a necessidade de uma melhor compreensão sobre a formação desses enigmáticos redemoinhos.

Publicidade

Segundo Joshua Tollefson, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, medir a evolução do novo vórtice escuro ajudará a ampliar o conhecimento sobre esse tipo de fenômeno, além das outras características que o compõem. #Mídia #Curiosidades