Às 3h38min da madrugada do dia 26 de dezembro de 2015, a Terra foi atingida, pela segunda vez, por ondas gravitacionais, originadas há 1400 milhões de anos, após a colisão e a fusão de dois buracos negros. Conforme os cientistas, a energia liberada pela fusão dos corpos foi tão intensa que, literalmente, afetou o ‘tecido’ do espaço-tempo.

Segundo relatos da imprensa europeia, desta quinta-feira (16), apesar de ter sido observado no final de 2015, o resultado da pesquisa só foi publicado na quarta-feira (15), na revista científica Physical Review Letters. As ondas gravitacionais foram detectadas pelo Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (Ligo - Laser Interferometer Gravitacional-Wave Observatory), responsável pela primeira observação do fenômeno, em 14 de setembro daquele ano.

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O LIGO também contou com o auxílio de físicos e engenheiros de 19 grupos de investigação europeu, na detecção do segundo caso.

Previsto pelo físico alemão Albert Einstein, em 1916, o episódio só foi comprovado ao público pela primeira vez, em 11 de fevereiro desse ano. A evidência do evento é considerada uma das mais importantes descobertas astronômicas do século 21.

Astrônomos avaliam que as recentes revelações permitirão aos pesquisadores a observação de novos objetos celestes e de fenômenos ainda ocultos no cosmos, como os buracos negros binários e estrelas de neutrões em colisão.

De acordo com as declarações de Albert Lazzarini, diretor do LIGO no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), divulgadas num comunicado da Universidade de Maryland, será possível prever a presença das ondas gravitacionais no futuro, algo impossível até pouco tempo.

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Construído em 1992, o LIGO é composto por dois detectores de ondas gravitacionais. Um deles está no município de Livingston, na Louisiana, o outro em Hanford, em Washington. Cada equipamento tem dois ‘braços’ perpendiculares, com 4 km de comprimento.

Metodologia

As detecções ocorrem quando os pesquisadores identificam interferência nos lasers, que vão de um extremo ao outro dos ‘braços’. Peritos explicam que, quando o laser chega na ponta do ‘braço’, ele bate no espelho acoplado à extremidade, retornando ao ponto de origem, e, assim, sucessivamente. Entretanto, quando a onda gravitacional atinge o nosso planeta, a Terra se comprime durante um rápido instante. Nesse momento, um dos lasers do detector fica um pouco mais curto do que o outro laser, que permanece inalterado. A partir dessa discrepância, eles notaram as emblemáticas ondas gravitacionais, o que deixou de ser teoria para virar fato científico. #Inovação #Mídia #Curiosidades