Como seria o cheiro de um cometa? Se estivermos falando do 67P/Churyumov-Gerasimenko, o aroma não é nada agradável. Amostras desse bólido celeste foram analisadas durante a missão Rosetta, da Agência Espacial Europeia (ESA), quando o aterrissador robótico Philae pousou em sua superfície, identificando componentes químicos através de seus instrumentos científicos.

A ideia de produzir um perfume a partir do aroma identificado no 67P/Churyumov-Gerasimenko veio de Colin Snodgrass, da Open University, localizada em Milton Keynes, no Reino Unido. A instituição responsável pela criação da fragrância foi a também britânica Aroma Company, que é uma empresa reconhecida como especialista na indústria mundial do perfume.

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Fragrância ruim

A fragrância do cometa, basicamente, é algo parecido com uma mistura de urina de gato, ovos podres e amêndoas amargas. O cheiro desagradável provém de alguns componentes químicos presentes nas amostras analisadas, e os “culpados” são o sulfureto de hidrogênio, o amoníaco e o ácido cianídrico.

A Aroma Campany, no entanto, encontrou algumas dificuldades na confecção da essência do cometa, pois alguns dos compostos identificados originalmente pelo robô Philae são venenosos. Por isso, a empresa precisou improvisar, usando substâncias inofensivas, mas que produzem o mesmo perfume.

Jacob Aron, repórter do The New Scientist, teve o “privilégio” de sentir a fragrância em primeira mão, e declarou: “Eu quase sinto o cheiro como se fosse uma presença física dentro do meu crânio”. No entanto, o jornalista afirmou que o perfume não era tão ruim quanto ele havia imaginado antes de senti-lo, dizendo que, de alguma forma, era possível sentir algumas notas florais em meio às notas desagradáveis.

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Amostras da fragrância serão entregues na exposição de verão da Royal Society (instituição fomentadora do conhecimento científico), que começa na próxima semana, em Londres.

Missão Rosetta

A missão Rosetta chegou ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em novembro de 2014 - mais de uma década depois de ter partido da Terra. O Philae completou parcialmente algumas experiências, mas parou de operar porque suas baterias solares estavam encobertas pela sombra do corpo celeste.

Em junho de 2015, a sonda “despertou” quando o cometa se aproximou do Sol, dando aos cientistas esperanças de que o robô poderia completar alguns dos experimentos. No entanto, em fevereiro deste ano, o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) afirmou que a sonda provavelmente estaria coberta de pó, e em um ambiente muito frio para funcionar novamente. #Curiosidades #Europa