Embora a Agência Espacial Americana (Nasa) pretenda enviar astronautas a Marte o mais breve possível, os raios cósmicos emanados pelas galáxias podem atrapalhar os planos da agência. É que além de viajarem próximos à velocidade da luz (299 792 458 m/s), eles afetam diretamente o organismo humano, podendo causar diversas patologias, entre elas a cegueira e o câncer.

Devido a nossa atmosfera, a radiação não ameaça os seres vivos do planeta. Porém, no vácuo espacial, ela não enfrenta barreiras e pode ser mortal. Apesar de os engenheiros espaciais estarem cientes do problema, até o momento, eles não conseguem desenvolver métodos eficazes para proteger os astronautas desses raios cósmicos, segundo informações do Smithsonian.

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Ron Turner, funcionário da NASA e especialista em radiação, destaca que essas características do cosmos podem colocar todos os tripulantes da missão em perigo. Responsável por estudar estratégias de gestão de risco para missões espaciais humanas, ele enfatiza a necessidade de maiores informações sobre os eventuais problemas ocasionados.

"É importante que tenhamos esses dados ao longo dos próximos dez anos, de modo que sejamos capazes de fazer o planejamento prudente para uma futura missão a Marte", avalia o engenheiro, ao ressaltar os riscos apresentados pelas partículas energéticas, originadas no Sol e lançadas com frequência ao espaço pelo vento solar.

“Essa poderosa radiação não só pode aumentar os riscos de câncer a longo prazo, mas também causar problemas imediatos, como vômitos, fadiga e perda da visão”, explica.

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Raios cósmicos: o verdadeiro perigo

Originados no espaço profundo, em outras galáxias, os raios cósmicos podem danificar de forma severa as células humanas. Ao contrário da radiação solar, eles são propensos a desencadearem efeitos degenerativos de longo prazo, entre eles doenças cardíacas, redução do sistema imunológico e sintomas neurológicos semelhantes ao Alzheimer.

Turner acrescenta os riscos enfrentados pelos astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS), que, sem a atmosfera para protegê-los, são obrigados a enfrentar os desafios da melhor forma possível. Segundo o engenheiro, quando o Sol libera partículas altamente radioativas, os astronautas se refugiam na parte mais fortemente blindada da ISS.

Entretanto, ele destaca que até hoje nenhum ser humano experimentou os perigos da exposição à radiação cósmica emanada por outras galáxias, que seria detectada numa missão de três anos a Marte.

Apesar dessas partículas do espaço profundo chegarem ao nosso sistema solar, os humanos não ficaram muito tempo expostos a elas.

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“O máximo de tempo que alguém passou na ISS foram 14 meses”, avalia.

Solução pode estar no tempo da viagem

Conforme o engenheiro, melhorias nas estruturas das naves seriam inúteis para enfrentar os raios de alta potência. “Além disso, a duplicação da espessura nominal do casco da nave espacial só reduz a ameaça para astronautas por cerca de 10%, um número que depende da natureza de ambos os raios e da blindagem”, constata.

Segundo ele, outro problema em investir nas blindagens estaria relacionado à diminuição da capacidade locomotiva das espaçonaves em decorrência do peso da estrutura. “Essa proteção extra também adiciona peso à nave espacial, o que limitaria os materiais de pesquisa e de sobrevivência”, pondera.

Para Turner, a construção de veículos espaciais mais velozes, capaz de encurtar o período das viagens, será a única forma de mitigar os efeitos da radiação cósmica.

“Uma vez que os seres humanos pousarem em Marte, a maior parte do planeta irá fornecer proteção significativa”, fala.

Diversos estudos sobre a radiação cósmica a longo prazo serão elaborados para que os pesquisadores compreendam os efeitos colaterais dessas partículas durante esse período. #Inovação #Mídia #EUA