O último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, referente ao período de 3 de janeiro a 28 de maio, aponta que, dentre as 2,2 mil amostras positivas para dengue analisadas em laboratório neste ano, 6,4% delas já pertencem ao sorotipo 2, contra apenas 0,7% no ano passado.

A #Dengue é provocada por quatro diferentes sorotipos do mesmo vírus: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Destes, o DEN-2 é o mais virulento, o que significa que poderá aumentar o número de casos graves e fatais. No Estado do Mato Grosso, por exemplo, durante os últimos seis anos, o DEN-2 não circulou, mas agora se observa a sua reinserção e suspeita-se que seja o responsável pela forma mais grave como a #Doença atingiu tanto os adultos como as crianças no Estado esse ano.

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O que ainda preocupa os especialistas é que a maior parte da população brasileira anteriormente contagiada pela doença foi submetida ao sorotipo DEN-1, que circulou com maior preponderância durante muito tempo e, de modo geral, imunizou essa população contra este sorotipo. No entanto, com o crescimento da presença do DEN-2, estes pacientes correm um risco maior se contaminados por este sorotipo, pois, na segunda vez que se adquire a doença, se for de um sorotipo diferente do anterior, o organismo pode apresentar uma reação exacerbada, culminando com a forma hemorrágica da doença, que pode ser fatal. Os primeiros sintomas, porém, são os mesmos, tanto para a dengue clássica como para a hemorrágica: febre, dores na cabeça, no corpo, nas articulações e atrás dos olhos.

Quando se trata de uma segunda infecção, o risco de se desenvolver formas graves da doença aumenta em mais de 15 vezes, por isso a preocupação atual.

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No Estado de São Paulo, o coordenador de Controle de Doenças da Secretaria Estadual da Saúde, Marcos Boulos, expressou a necessidade de mais cuidados: "Todos têm de ficar mais atentos aos sinais de agravamento da dengue. Teremos de pensar duas vezes antes de liberar o paciente".

Além de Mato Grosso e São Paulo, o Distrito Federal, Pará e Rondônia também já apresentam índices de circulação do sorotipo DEN-2 maiores que a média nacional.