Indícios encontrados por pesquisadores brasileiros em fetos portadores de microcefalia provocada por Zika vírus, originários de moradoras da Paraíba, indicam a possível presença do vírus BVDV interagindo nesses pacientes. Os trabalhos foram conduzidos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto (IPESQ). O BVDV (Bovine Viral Diarrhea Virus), da mesma família dos vírus da Dengue e da Zika, é o vírus da Diarreia Viral Bovina, uma #Doença que acomete o gado bovino em diversos países, provocando nesses animais diarreia e distúrbios respiratórios. Até então, não havia relato de transmissão desse vírus para humanos.

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O que, inicialmente, chamou a atenção dos pesquisadores, foi a semelhança entre os efeitos desse vírus na formação do feto dos animais e as ocorrências também observadas nos fetos humanos, como abortos e más formações.

A contaminação poderia se dar através do consumo de carne mal cozida, de leite cru ou de produtos lácteos não pasteurizados ou através de água contaminada pelas fezes dos animais. Nas regiões de origem dos casos estudados, estas condições poderiam estar sempre presentes. No entanto, suspeita-se que agora, com a presença do #Zika Vírus concomitante, o vírus BVDV possa interagir.

Os Ministérios da Saúde e da Agricultura foram imediatamente comunicados, assim como a Organização Mundial da Saúde (OMS). Equipes foram destacadas para se aprofundarem nos casos, inclusive com pesquisa de campo, na região de ocorrência.Uma importante iniciativa para a qual os pesquisadores buscam recursos, uma vez que é muito cara, é o sequenciamento genético do vírus.

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O professor Eduardo F. Flores, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva, da Universidade Federal de Santa Maria, RS, foi um dos consultados pelo jornal Estadão sobre o vírus BVDV para a reportagem produzida sobre o tema. Após a publicação, apresentou alguns esclarecimentos, dos quais destacamos: "Sobre a suposta relação entre o BVDV-ZIkA-microcefalia, que alguns pesquisadores estão forçando em demonstrar, volto a afirmar que, com base no que se sabe até hoje (01/07) NÃO ACREDITO. Assim, como pesquisador, entendo que quaisquer afirmações neste sentido, com base nos resultados obtidos até aqui, são no mínimo IRRESPONSÁVEIS. Se  essa associação for verdadeira, e devidamente demonstrada cientificamente, serei o primeiro a reconhecer".