Uma estranha estrutura em forma da letra X, detectada no núcleo central da Via Láctea, tem intrigado e despertado a curiosidade de astrônomos e entusiastas de estudos cosmológicos. De acordo com as recentes informações do periódico europeu Daily Mirror, a estranha forma foi notada após uma dupla de cientistas reanalisar imagens do espaço, tiradas pelo telescópio WISE, da Agência Espacial Americana (NASA), quatro anos atrás. A Descoberta foi publicada no Astronomical Journal.

Além da inusitada detecção, os pesquisadores se mostraram íntimos das redes sociais. Eles anunciaram o inédito achado diretamente pelo Twitter, ao invés das mídias oficiais, como acontece nesses casos.

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Segundo o Mirror, as primeiras evidências da suposta estrutura em forma de X foram postadas no microblog em maio do ano passado.

O astrônomo Dustin Lang, do Instituto Dunlap, da Universidade de Toronto (Canadá), começou postando mapas de galáxias em sua conta no Twitter. Esses mapas estelares foram criados pelo telescópio WISE, que mapeou todo o céu em 2010. As fotografias das galáxias foram realizadas por meio de luz infravermelha, que permite aos cientistas observar as estruturas das mesmas.

Lang conta que notou a emblemática forma ao usar dados do WISE num projeto para mapear galáxias distantes da Via Láctea. Esses dados seriam projetados num site interativo - onde possivelmente ele é o administrador. Contudo, ao expor as fotos no microblog, internautas e astrônomos acabaram surpreendidos com uma aparente estrutura em forma de X no centro da nossa galáxia.

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A inesperada descoberta foi avaliada com seriedade por diversos astrônomos conceituados. Um deles, Melissa Ness, pesquisadora do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha, contatou o cientista logo após a exposição do objeto. Além de se impressionar com o fenômeno, ela se tornou a principal pesquisadora do assunto, junto com Lang.

Segundo ela, a protuberância (X) é uma ‘assinatura’ da formação da nossa galáxia. A cientista acredita que a estrutura contém pistas sobre o surgimento da Via Láctea. “Se entendermos a protuberância vamos compreender os processos fundamentais que se formaram e moldaram a nossa galáxia”, avalia.

Tanto Lang, quanto Ness, decidiram trabalhar juntos na análise da protuberância, usando os mapas fornecidos pelo telescópio WISE. Conforme a Agência Espacial Americana (NASA), esse formato acontece devido ao fato da Via Láctea ser “uma coleção de estrelas e gás em um disco giratório”. A agência explana que nesses tipos de galáxias, quando o fino disco de gases e estrelas são abundantes, uma espécie de ‘bar estelar’ pode se formar.

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Esses ‘bares’ são constituídos de estrelas que se movem numa órbita em forma de caixa em torno do centro. “A própria Via Láctea tem um bar, como quase dois terços de todas as galáxias de disco nas proximidades”, declara a NASA.

A agência também acentua que esse tipo de formato pode ser originado quando galáxias acabam se aproximando demais ao ponto de se mesclarem. Porém, argumenta que faz nove bilhões de anos que a Via Láctea não se mistura com outra galáxia.

Para Ness, o X demonstra que a Via Láctea tem se mantido estável há tempos. "Isso também reforça a ideia de que a nossa galáxia tem levado uma vida bastante tranquila, sem grandes eventos que se fundem desde que a protuberância foi formada. Esta forma teria sido interrompida se tivéssemos qualquer interação com outras galáxias”, destaca.

Astrônomos continuam estudando as estrelas no núcleo central da Via Láctea, com objetivo de descobrir novas características responsáveis pela formação do universo.

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