A radioterapia, #Tratamento que utiliza radiação ionizante para destruir ou impedir que células cancerosas se multipliquem, pode obter melhores resultados com o auxílio inesperado de um medicamento usado para tratar e combater a malária. 

Pesquisadores britânicos descobriram que a atovaquona (ou atovaquone, em inglês), também utilizada no combate à toxoplasmose e à pneumocistose, pode ser útil no tratamento de alguns tipos de câncer quando associada à radioterapia.

Mecanismo de ação

Os cientistas do Reino Unido perceberam, em testes realizados com camundongos, que a atovaquona aumentava os níveis de oxigênio em células tumorais.

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Este efeito trouxe uma vantagem até então inexistente para a radioterapia, uma vez que as células cancerosas, que possuem baixos níveis de oxigênio, apresentam duas características distintas: são mais difíceis de combater usando o tratamento radioativo e se espalham com mais facilidade pelo corpo.

O efeito de oxigenação, obtido com o uso da atovaquona, fez com que a radioterapia se tornasse mais eficaz contra alguns tipos de câncer, incluindo tumores no pulmão, intestino, cérebro, cabeça e pescoço.

Uso em seres humanos

Os resultados obtidos com a pesquisa em camundongos levaram os cientistas a iniciar o experimento em seres humanos. O pesquisador-chefe do estudo, Gillies McKenna, do Cancer Research UK Radiation Research Centre, em Oxford, afirmou: "Nós começamos agora um ensaio clínico para ver se conseguimos mostrar os mesmos resultados em pacientes com câncer".

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McKenna acrescentou que a equipe de pesquisadores espera que a atovaquona, que é uma droga de baixo custo (pelo fato de sua patente já ter expirado, o que significa que pode ser produzida, por exemplo, na forma de medicamento genérico) e considerada segura, possa permitir que tumores resistentes à radioterapia respondam mais positivamente ao tratamento.

A ideia de reaproveitar medicamentos usados em outras enfermidades para combater o câncer está se tornando cada vez mais popular, uma vez que cientistas têm notado que remédios mais antigos podem, em alguns casos, ajudar a impulsionar terapias contra determinados tipos de tumor. #Medicina #Doença