Uma equipe internacional de pesquisadores, entre os quais David Adams, do Wellcome Trust Sanger Institute, localizado no Reino Unido, anunciou nesta terça-feira (12) que pessoas que possuem o gene responsável pelas características genéticas dos ruivos, ou rutilismo, possuem uma chance maior do que outras pessoas de desenvolver mutações em casos de câncer de pele, mesmo sem exposição direta ao sol.

Ruivos possuem suas características físicas distintas devido a variações em um gene chamado MC1R, recebido de ambos os pais, e que afeta a produção do pigmento que dá cor à pele, conhecido como melanina. No entanto, quando as pessoas recebem o gene somente do pai ou da mãe, podem não apresentar cabelos avermelhados ou alaranjados, além de pele clara e sardas, e mesmo assim, carregar a assinatura genética do rutilismo.

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A pesquisa divulgada revelou que as pessoas que têm as variações no gene MC1R que causam o rutilismo – mesmo aquelas que não possuem as características físicas dos ruivos – apresentam uma possibilidade maior de desenvolver câncer de pele, também chamado de melanoma, do que pessoas que não possuem essa diferenciação genética.

Suscetibilidade ao melanoma

Os resultados do estudo foram publicados na revista Nature Communications, sendo baseados em uma análise genética de câncer de pele em mais de 400 indivíduos. A pesquisa revelou que pessoas que possuíam a variante ruiva do gene MC1R apresentavam 42% mais mutações em seus tumores do que os indivíduos sem as mesmas características. Segundo os pesquisadores, isso equivaleria, para aqueles que possuem o gene do rutilismo, a 21 anos a mais de danos causados à pele por exposição ao sol do que para as pessoas que não apresentam esse fator.

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Embora a maioria dessas mutações genéticas seja inócua, existe uma probabilidade maior, para esses indivíduos, de que uma célula humana normal possa se transformar em uma célula cancerosa, por serem mais suscetíveis a processos mutagênicos ocasionados pela exposição aos raios ultravioletas.

Julie Sharp, do Cancer Research UK, do Reino Unido, que cofinanciou a pesquisa, alerta que pessoas que tendem a se queimar ao invés de se bronzear, ou aquelas que têm pele, cabelos ou olhos claros, além de sardas, devem tomar cuidados extras quando se exporem ao sol. Para tanto, esses indivíduos devem evitar o período de maior incidência de raios UV, que no Brasil vai das 10hs às 16hs, além de usar óculos escuros e protetor solar com FPS15, no mínimo. #Medicina #Doença #Saúde