Nesta segunda-feira (25), o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) começou a testar em humanos a chamada "pílula do câncer", cujo princípio ativo é a fosfoetanolamina. A pesquisa foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde.

A Descoberta e a Polêmica

O professor e pesquisador Gilberto Chierice, da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos, descobriu no fim dos anos 1980 a forma de sintetizar a substância chamada fosfoetanolamina, que acredita-se ser eficaz na cura do câncer. A chamada pílula, na verdade uma cápsula, causou polêmica por ter sido administrada a pacientes com a #Doença, sem ter passado pelos testes exigidos por lei e sem a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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Muitos pacientes entraram na Justiça e obtiveram o produto, mesmo sem garantias. O próprio pesquisador admite que não se tem conhecimento sobre a dosagem adequada ao tratamento, nem sobre possíveis efeitos colaterais.

Em março de 2016, o Congresso Nacional havia liberado a comercialização da pílula para pacientes que assinassem um termo de consentimento e responsabilidade. Em abril, o texto foi sancionado pela presidente afastada Dilma Rousseff. Em maio, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela proibição.

Como serão os testes

Na primeira fase de testes foram escolhidos apenas 10 pacientes. A partir daí espera-se determinar a dosagem e descobrir quais os efeitos colaterais. Se aprovada neste primeiro momento, a pesquisa será ampliada para mais 200 pessoas.

Os testes buscam resultados para dez tipos de câncer: pulmão, mama, colo e reto, pâncreas, fígado, cabeça e pescoço, próstata, gástrico, melanoma e colo uterino.

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Caso se comprovem resultados positivos em seis meses, mais 80 pacientes serão incluídos. A pesquisa, que deve durar 2 anos, pode chegar a até mil pacientes. Todos os participantes estão em tratamento no Icesp.

A pílula

A pílula de fosfoetanolamina que será administrada nos testes foi produzida pelo laboratório PDT Pharma e encapsulada pela Fundação para o Remédio Popular (Furp). O pesquisador vai acompanhar o processo, que deve custar quase 600 mil reais ao estado de São Paulo.

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