Fala-se muito que se deve adotar uma dieta rica em colesterol "bom", e pobre em colesterol "ruim" . O primeiro, encontrado em nozes, peixes, óleo de oliva e abacate; o segundo, frequente em gorduras não saturadas, ou trans: manteiga, bacon, abacate, banha de porco, frituras em geral.

A justificativa para tal dieta é a saúde do coração. Atribui-se aos altos índices de LDL o entupimento das artérias coronárias, que causarão ataques cardíacos. Daí a preocupação em se ingerir o maior volume possível de alimentos fontes de HDL, uma vez que em tese, isso reduziria as chances de se ter um infarte, dentre outros problemas que a LDL acarreta.

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Todavia, um estudo da Universidade de Cambrigde, na Inglaterra, publicado pela revista Sciense, desafia esse consenso: segundo o paper, em certo grupo populacional é a HDL quem aumenta os riscos de doenças cardíacas coronárias.

Uma só molécula

Embora sempre se registre o colesterol como "bom" ou "ruim", HDL e LDL, respectivamente, tal prática esconde um conceito diferente: existe somente um tipo de molécula de colesterol sintetizada pelo organismo.

É o esteróide mais abundante nos tecidos animais. Participa da membrana plasmática das células, e é precursor da testosterona e estrógeno, respectivamente os hormônios sexuais masculino e feminino.

As siglas LDL e HDL nada mais são do que lipoproteínas (proteínas associadas a lipídios) de baixa densidade (Low Density Lipoprotein, LDL, na sigla em inglês) e de alta densidade (High Density Lipoprotein).

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A função das lipoproteínas é fornecer colesterol aos tecidos (o caso da LDL) e retirar colesterol dos tecidos (como a HDL). Portanto, consumir alimentos com alto teor de LDL é levar a molécula aos tecidos, supersaturando-os, ao passo que com a HDL ele é retirado e levado para o fígado, único órgão capaz de processá-lo.

Com base nesses conceitos é convencionado que o consumo de LDL é responsável pelo entupimento das artérias coronárias, e o de HDL é o remédio. O estudo de Cambrigde, no entanto, põe em cheque tal afirmação.

Mutação no gene

Na pesquisa, quase mil pessoas foram analisadas, todas portadoras de uma mutação no gene SCARB1, que afeta uma em cada 1700 pessoas e aumenta o nível de HDL no organismo. Como a lipoproteína de alta densidade é responsável pela retirada de colesterol no organismo, na teoria tal grupo deveria estar imunizado aos efeitos de LDL.

Mas não foi o comprovado pelo levantamento. Foi constatado que nos participantes o risco de se ter doenças cardíacas era de 80%, semelhante aos de fumantes ativos.

Sob tal paradigma, crescem posicionamentos contrários à adoção das nomenclaturas maniqueístas. Está para ser extinta a ideia de que exista um colesterol "bom". #Medicina #É Manchete! #Alimentação Saudável