Elas são descartadas no instante em que saem do corpo. As pessoas sentem repulsa em observá-las. Seu cheiro causa náusea nos indivíduos de olfato mais aguçado. Porém, as fezes, material orgânico produzido por mais de sete bilhões de seres humanos em todo o mundo, é o melhor remédio para combater as mais graves infecções bacterianas, dizem os especialistas.  

Conforme informações do jornal estadunidense The New York Times, edição de sexta-feira (15), estudos recentes provam que as fezes são eficazes contra infecções produzidas pela bactéria Clostridium difficile – relacionada a doenças gastrointestinais associadas aos antibióticos.

Publicidade
Publicidade

Devido ao excelente resultado que as fezes apresentaram no combate às infecções gastrointestinais, pesquisadores resolveram experimentar o uso do ‘remédio’ para tratar outras patologias. Agora, eles começaram a testar transplantes fecais contra a colite ulcerativa (doença inflamatória intestinal), além de experimentar a substância no combate à obesidade e a diabetes.

Embora o transplante fecal tenha se mostrado eficaz na cura de diversas doenças, até o momento os cientistas não descobriram o motivo das fezes funcionarem melhor do que muitos remédios. Todavia, médicos estão usando cada vez mais o método. “Nós estamos fazendo esse tratamento quase diariamente”, comenta o gastroenterologista Harry Sokol, do hospital Saint-Antoine, de Paris (França).

Os pesquisadores da Universidade de Vanderbilt, situada na cidade de Nashville (EUA), Diana P.

Publicidade

Bojanova e Seth R. Bordenstein, descobriram múltiplas propriedades nos dejetos. O estudo publicado por eles na revista científica PLoS Biology observou que, em apenas 1 grama de fezes, é possível encontrar 100 bilhões de bactérias, 100 milhões de vírus e um milhão de esporos de fungo. Também foram detectados 100 milhões de micróbios conhecidos como arqueobactérias, e 10 milhões de células a partir do revestimento do intestino.

Como se não bastasse a existência de milhões de bactérias, vírus, micróbios e esporos de fungo em apenas uma ínfima quantia de fezes, os pesquisadores também notaram que cada dejeto contém espécies diferentes desses organismos. Em resumo, os níveis dessas propriedades variam em cada excremento.

Descobertas iniciais

Ainda que os cientistas aleguem desconhecer os motivos que desencadeiam a cura pelo transplante fecal, o pesquisador Sahil Khanna e seus colegas suspeitam que os esporos presentes nos dejetos façam parte deste processo. Para chegar a essa conclusão, eles isolaram os esporos de fungo de 50 espécies diferentes de bactérias encontradas em amostras de fezes doadas por indivíduos saudáveis. 

Os cientistas colocaram os esporos em pílulas e forneceram o ‘remédio’ a 30 pacientes com infecções de Clostridium difficile.

Publicidade

Dos 30 doentes que experimentaram o tratamento, 29 se curaram. O resultado da experiência foi divulgado nesta sexta-feira (15), no The Journal of Infectious Diseases.

Novos estudos continuarão a ser feitos com objetivo de elucidar a maneira como as fezes agem no organismo humano.

  #Inovação #Curiosidades #Medicina