Além de modificar o clima de todo o planeta, de derreter as calotas polares e de aumentar o nível dos oceanos, o aquecimento global também é responsável por fazer ressurgir doenças com alto grau de letalidade, como o Antraz (bactéria Bacillus anthracis).

No final de julho e início de agosto, por exemplo, a Rússia anunciou que dezenas de moradores de uma região da Sibéria haviam sido infectados pela bactéria. Peritos concluíram que um animal semelhante ao cervo, morto há anos, portava a Bacillus anthracis.

Porém, a carcaça do bicho que estava sob o gelo havia sido descongelada devido as altas temperaturas registradas naquela região.

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Autoridades russas alegam que o derretimento do gelo fez as bactérias do antraz voltarem à vida.

Agora, o incomum derretimento de boa parte do gelo da Groenlândia evidenciou a estrutura de uma base secreta do Exército dos Estados Unidos, repleta de resíduos radioativos, de acordo com as recentes informações do Instituto Smithsonian. Situada na região Noroeste da ilha, a base estava coberta pelo gelo havia vários anos.

Conforme o Smithsonian, um estudo inédito publicado no início de agosto na revista científica Geophysical Research Letters, avalia que o derretimento do gelo aconteceu antes do previsto. Cientistas acreditavam que a base militar abandonada na Groenlândia, na época da Guerra Fria (1947-1991), seria redescoberta em decorrência do degelo somente no ano de 2090.

Pesquisadores advertem que quando o gelo em torno da base sumir, toneladas de materiais e 53 mil litros de óleo diesel serão levados ao oceano pelo gelo derretido.

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No entanto, a maior preocupação diz respeito às pequenas quantidades de água de refrigeração radioativa da usina nuclear, além das toxinas cancerígenas usadas em tintas e fluidos conhecidos como bifenilos policlorados (PCBs).

Todavia, o estudo enfatiza que níveis elevados de PCBs já são detectados no Ártico. Eles são liberados aos oceanos por meio dos resíduos urbanos e chegam ao Ártico devido as correntes marítimas e do vento

A base

Construída a quase 60 anos, a estrutura foi desenvolvida a apenas 800 milhas (1287 km) do Polo Norte. Ela havia sido elaborada abaixo do gelo e da neve, com objetivo de proteger os militares das temperaturas congelantes e das fortes rajadas de vento, que podem chegar a 201 km/h.

Chamada de ‘Acampamento Century’, a base foi fabricada para servir de modelo tecnológico à época. Ela continha sua própria usina de energia nuclear, além de laboratórios científicos, biblioteca e até mesmo capela para os fiéis e barbearia para os mais ‘vaidosos’.

Contudo, o verdadeiro propósito do local era abrigar armas nucleares.

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As atividades na base aconteciam em sigilo. Nem mesmo o governo da Dinamarca – responsável pela ilha -, tinha conhecimento do que ocorria naquele lugar.

Até mesmo o especialista em política internacional, Jeff Colgan, ficou surpreso ao ser questionado por um glaciologista da Universidade de York (Inglaterra), sobre o rumo que os norte-americanos dariam aos equipamentos que começaram a aparecer depois do derretimento. "Parecia tão improvável que eu não sabia se acreditava nele", confessa Colgan.

Ao que tudo indica, muitos ‘segredos’ serão revelados à medida em que o gelo desaparecer. Até o momento, autoridades estadunidenses não comentaram o assunto. #Mídia #Curiosidades #Internet