A estrela KIC 8462852, localizada na constelação do Cisne, a cerca de 1.480 anos-luz de distância da Terra, apresenta um fenômeno que tem deixado os cientistas completamente desconcertados, pois eles não conseguem explicar satisfatoriamente o que está acontecendo com este corpo celeste.

Em janeiro deste ano, um relatório foi divulgado comparando o atual brilho da estrela com imagens feitas em placas fotográficas registradas por astrônomos, durante um período que abrange mais de um século de observações. O resultado foi surpreendente, pois mostrou uma diminuição de mais de 20% de sua luminosidade - fato nunca antes detectado.

Publicidade
Publicidade

Além disso, a estrela também apresentou dez quedas bruscas de brilho em 2015, chegando a atingir um obscurecimento incrível de 22% em um destes eventos.

Esta estranha diminuição de luminosidade levou os astrônomos a criarem algumas teorias para tentar explicar o fenômeno, que vão desde a existência de uma nuvem de cometas circundando KIC 8462852, a até mesmo a possibilidade de uma civilização extraterrestre inteligente estar construindo uma megaestrutura ao redor da estrela - conhecida como Esfera de Dyson - com o intuito de captar sua energia.

Para se ter uma ideia da dimensão que um corpo celeste deveria ter para ser capaz de obscurecer assim uma estrela, seriam necessários cerca de mil planetas do tamanho da Terra, passando ao mesmo tempo em frente à essa estrela, para produzir um mergulho tão profundo de sua luminosidade.

Publicidade

O mistério se aprofunda

Uma Esfera de Dyson poderia, hipoteticamente, ser construída por uma civilização altamente avançada, dispondo imensos painéis solares ao redor de uma estrela, aproveitando assim o enorme recurso energético que um astro pode fornecer. Conforme fossem colocados mais painéis solares ao redor da estrela, o seu brilho, visto por um observador distante, diminuiria com o passar do tempo.

As últimas observações de KIC 8462852 têm confundido ainda mais os astrônomos porque mostram, justamente, que o brilho da estrela tem decrescido progressivamente, mas não de forma constante. Além disso, foi descoberta uma terceira flutuação em sua luminosidade, e que também tem desafiado qualquer explicação plausível.

Benjamin Montet, do Centro Cahill de #Astronomia e Astrofísica do CalTech, na Califórnia, publicou uma carta na revista de astronomia online arXiv, descrevendo um declínio progressivo no brilho da estrela desde que Telescópio Espacial Kepler, da NASA, começou a observá-la, há quatro anos.

Nos três primeiros anos, o brilho de KIC 8462852 diminuiu a uma taxa anual de cerca de 0,34%. Então, surpreendentemente, a sua luminosidade média reduziu 2% em apenas sete meses, permanecendo estável durante algum tempo.

Montet reconhece que está tão perplexo quanto todo mundo. O cientista afirmou que uma nuvem de material ao redor de KIC 8462852 poderia ser uma possível explicação, mas nenhum modelo proposto consegue explicar as diminuições de brilho observadas.

Assim sendo, o mistério permanece. #Curiosidades