O site da rede americana de notícias CBS informou nesta segunda-feira (29) que o neurocientista italiano Sergio Canavero, auxiliado pelo cirurgião chinês Xiaoping Ren, pretende realizar em 2017 o primeiro transplante humano de cabeça da história. De acordo com as informações disponibilizadas, Canavero já encontrou um paciente que se voluntariou para o procedimento: o russo Valery Spiridonov.

Segundo a CBS, Spiridonov sofre da chamada Síndrome Werdnig-Hoffmann, uma doença degenerativa que não tem cura, e que geralmente é fatal. As células nervosas do cérebro e da medula do portador desta rara síndrome acabam morrendo, o que impede que o corpo possa se mover.

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Para se ter uma ideia, os movimentos corporais do russo que se voluntariou para o transplante de cabeça se limitam a digitar em um teclado de computador, comer e direcionar a cadeira de rodas na qual está confinado, através de um joystick.

Spiridonov concedeu uma entrevista à revista The Atlantic, declarando: "Remover todas as partes doentes [do meu corpo], exceto a cabeça, seria um grande trabalho no meu caso", e completou: "Eu não consigo ver nenhuma outra maneira de me tratar".

Procedimento polêmico

Ainda de acordo com a CBS, Canavero publicou o detalhamento de seus planos para o procedimento - que já foi testado com sucesso em ratos -, em vários artigos publicados na revista Surgical Neurology International, onde afirmou que o transplante da cabeça de Spiridonov para o corpo de um doador previamente diagnosticado com morte cerebral exigirá uma equipe com 80 pessoas, e custará dezenas de milhões de dólares, com uma suposta estimativa de sucesso de mais de 90%.

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No entanto, o site de notícias americano revelou que muitos cientistas são contra os planos de Sergio Canavero e Xiaoping Ren, acusando-os de promover a chamada junk Science (algo como “ciência da Sucata”, termo que, segundo o dicionário Oxford, significa o uso de teorias não testadas ou não comprovadas, apresentadas como fato científico) e de criar falsas esperanças. Um crítico da técnica, inclusive, afirmou que se Spiridonov morrer durante o procedimento de transplante - algo provável de acontecer -, os cientistas deverão ser acusados de assassinato. #Inovação #Medicina